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Desafios da flexibilização do Ensino Médio são debatidos no primeiro dia do seminário promovido pelo Instituto Unibanco

22 junho 2017

Começou hoje (21) e segue até amanhã o Seminário Desafios Curriculares do Ensino Médio: implementação e flexibilização, realizado pelo Instituto Unibanco em São Paulo (SP). As mesas que integraram a programação do primeiro dia foram bastante diversas, trazendo a perspectiva de diferentes atores envolvidos no debate sobre a flexibilização da última etapa da educação básica. Embora existam divergências em torno do tema, a necessidade de mudanças no Ensino Médio foi ponto pacífico na fala dos participantes.

“Tenho a percepção de que temos um enorme atraso na educação mas também um grau de preocupação crescente sobre o estado do nosso Ensino Médio”, observou o vice-presidente do Conselho de Administração do Instituto Unibanco, Pedro Malan, na abertura do encontro. “É mais que oportuna a discussão sobre os desafios curriculares”.

“O foco desse seminário é acertado ao debater o que os jovens devem aprender e as possibilidades de escolha dadas a eles”, destacou a assessora sênior de Relações Globais da Diretoria para Educação e Habilidades da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Elizabeth Fordham.

O secretário de Educação Básica Rossieli Soares da Silva fez questão de reforçar a lei 13.415 como decorrência de um debate que já vinha ocorrendo no campo da educação há décadas. “É preciso coragem para mudar”, frisou.
A diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, Claudia Costin, também elogiou a iniciativa de organização do encontro: “Mesmo em um contexto de crise fiscal e institucional, estamos reunidos aqui para debater o direito à educação. Meus parabéns ao Instituto e outros parceiros por promover essa discussão”.

O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, lembrou ainda que esse foi o terceiro momento de acúmulo em torno do tema dos desafios curriculares do Ensino Médio promovido pela instituição. Ele apresentou uma proposta de flexibilização, “resultado de um processo de cocriação com técnicos e secretários parceiros [do Jovem de Futuro]”, alimentado por uma “experiência empírica direta e que nos dá uma aderência ao real muito intensa”.
Desafios

Embora haja consenso sobre as possibilidades abertas pela flexibilização de itinerários formativos no Ensino Médio, foram destacados alguns pontos identificados como desafios centrais para implementação da nova organização.

Para o integrante do Conselho Nacional de Educação, César Callegari, a flexibilização já está prevista na Lei de Diretrizes e Bases e nas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio de 2012 e, portanto, “não depende de normas, mas de condições efetivas de implementação”.

A questão da formação inicial e continuada de professores foi apontada como um dos principais desafios para flexibilização, pois prevê a organização curricular por áreas do conhecimento e demanda, assim, que os docentes sejam preparados para uma nova forma de ensinar. “Não consigo pensar em reestruturação de currículo sem pensar na formação continuada”, afirmou o professor Bruno Barreto, da rede pública do Rio de Janeiro (RJ).

A questão da infraestrutura das escolas também foi apontada como um obstáculo a ser superado. O diretor André Barroso, à frente da Colégio Estadual Professor José de Souza Marques, localizado em uma região vulnerável do Rio de Janeiro (RJ), indagou “Como implantar uma carga horária flexível e ampliada em uma escola de três turnos localizada naquele território? Para começar, não temos nem cozinha”, relatou.

Os jovens convidados a integrar um dos painéis da tarde reconheceram os ganhos da flexibilização, mas apresentaram ressalvas. “A diversidade de caminhos oferecida na escola é sensacional. Só com esse contato o jovem vai conseguir fazer escolhas seguras”, afirmou Gabriel Ferreira, que concluiu o Ensino Médio em 2016.
“A flexibilização é interessante, mas me dá um pouco de medo. Como eu vou saber que minha escolha vai ser respeitada?”, questionou Thaianne Santos, ex-aluna do Ensino Médio da rede pública carioca. “Eu espero que cada jovem seja respeitado no seu próprio caminho”, complementou.