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Documentário “Nunca me sonharam” fará parte da formação de educadores da rede estadual da Bahia

18 julho 2017

Organizada pelo Coletivo Desabafo Social, a sessão exclusiva do documentário “Nunca me sonharam”, apresentado pelo Instituto Unibanco e produzido pela Maria Farinha Filmes, reuniu cerca de 100 pessoas na Sala Itaú Salvador Glauber Rocha, dentre lideranças jovens, alunos de Ensino Médio e profissionais da Educação, na última sexta, 14/7.

“’Nunca me sonharam’ faz uma denúncia. Denuncia a perversidade da desigualdade presente de norte a sul do país e que compromete tudo que podemos produzir para a sociedade. E anuncia a necessidade de buscarmos juntos, coletivamente, soluções para a transformação. Para a garantia dos direitos dos jovens” disse Alexsandro Santos, gerente do Instituto Unibanco, no debate após a exibição do filme.

Ao final do filme, emocionado, Ney Campello, perguntou à plateia quem havia se emocionado também. Ao ver dezenas de mãos erguidas, comentou: “Isso significa que o nosso projeto de humanidade não falhou. Ainda tem jeito. Isso é uma sinalização de compromisso com a mudança!”. Na sequência, Campello anunciou que o documentário será exibido na 2a etapa da Jornada Pedagógica da Bahia para profissionais das 1.300 escolas da rede estadual.

Anna Penido, do Inspirare, outra participante do debate com longa trajetória em trabalhos com as juventudes, ressaltou que o filme traz algo que os jovens falam o tempo todo. “Os jovens buscam educação e uma escola que faça sentido para eles. Eles pedem ‘olhem para mim, veja para além dos estereótipos, me escute, ouça minha voz, considere minha opinião sobre o que está dando certo ou não.'” Anna concluiu que os jovens falam que é importante que a escola seja um ambiente de relações sólidas. E que eles querem botar a mão na massa, querem participar.

Izye Santos, jovem militante organizadora da Virada Educação de Salvador dentre outras atividades, trouxe para o evento cerca de 25 estudantes de Ensino Médio da E.E. Euricles de Matos, representando os 1.400 alunos da escola. Ela, que também foi uma das debatedoras, ressaltou que a escola precisa mudar. “Nunca me sonharam é a voz de todo estudante de escola pública que quer mudança na educação” concluiu.

“A educação escolar coloca o jovem como um terceiro. Mas quem faz a educação e a escola somos todos nós!”, salientou Gabriel Leal, do Coletivo Desabafo Social, organizador do evento. O militante negro também reforçou a importância do comprometimento de todos para superação dos desafios educacionais. “Sempre há culpabilização de alguém. Precisamos falar em corresponsabilidade e não culpabilização. Vamos nos colocar como corresponsáveis nesta mudança.” diz.

Carmim Lisboa, diretora de escola, que estava na plateia, disse ter ficado muito emocionada com o filme pelo seu compromisso com a educação. “Quando você acredita em Educação, você, como gestora, vai fazer deste lugar [a escola] um lugar digno dos alunos. É possível e a gente precisa continuar acreditando nisso”, enfatizou.

“Há dois valores que não podem se perder na educação – indignação e utopia. Utópico não é o irresponsável, é o ainda não realizado”, explicou o superintendente de educação básica da Bahia, Ney Campello. “Este é um filme que nos deixa encorajado”, opinou, sobre o documentário.

“Nunca Me Sonharam” está disponível para exibições públicas gratuitas pela plataforma VIDEOCAMP e também no iTunes, Net Now, Google Play, Vivo Play e YouTube (para alugar).