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Primeiro dia do seminário internacional destaca a importância da troca de experiências entre gestores

27 setembro 2017

Começou nesta quarta-feira (27) o Seminário Internacional Caminhos para a qualidade da educação pública: Desenvolvimento Profissional de Gestores, realizado pelo Instituto Unibanco, Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e Folha de S. Paulo. Alguns dos destaques das mesas foram as condições de trabalho dos gestores, a importância da troca de experiência entre esses profissionais e a gestão para equidade.

Idilvan Alencar, Secretário de Educação do Ceará e presidente do Consed, participou da abertura do evento ao lado de Pedro Malan, vice-presidente do Conselho do Instituto Unibanco e Vinicius Mota, Secretário de Redação da Folha de S. Paulo. Na ocasião, Idilvan defendeu que é imprescindível que os gestores tenham respaldo de professores, estudantes e famílias para seguir a carreira e manter a escola. “Gestor precisa ter apoio da comunidade escolar. Quando isso não acontece, já temos meio caminho andado para o fracasso”, ressaltou. Já Pedro Malan enfatizou a importância de a sociedade se preocupar com a educação. “É a educação que vai definir o que será o futuro”.

A primeira mesa abriu espaço para gestoras compartilharem suas vivências, aprendizagens e desafios. Elba Alves Silva, coordenadora pedagógica da Diretoria Regional da Educação e Cultura em Currais Novos (RN), contou sobre como lidou para diminuir os altos índices de reprovação e evasão na escola que geriu entre 2012 e 2016. “A liderança ficou leve porque foi uma liderança compartilhada”, comentou. Francisca Rozimar, diretora geral na Escola Estadual Profissional Irmã Ana Zélia da Fonseca, localizada na cidade de Milagres (CE), foi outra gestora a defender o diálogo entre profissionais da educação em diferentes lugares. “O intercâmbio é muito importante. Eu fiz intercâmbios por alguns estados e pude ver experiências de outros gestores”, completou. A mediadora do grupo, Anna Helena Altenfelder, finalizou a conversa reforçando que “precisamos combater a ideia de que existe diretor herói. Existe um profissional e a necessidade de desenvolvimento desse profissional”.

A seguir, Vanessa Leite, coordenadora de formação do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM), Gersen Baniwa, professor na Universidade Federal do Amazonas, e Macaé Evaristo, Secretária de Educação de Minas Gerais, discorreram sobre gestão escolar para equidade. “As escolas precisam assumir as causas de gênero e sexualidade”, pontuou Vanessa. Gersen apresentou a situação das escolas indígenas no Amazonas: falta de infraestrutura, professores que assumem o papel de gestor e são considerados multifuncionais e o desafio de trabalhar com grupos compostos por diferentes etnias indígenas que falam diferentes idiomas. Por fim, Macaé chamou a atenção para o racismo institucional. “Pensam que os corpos negros são para domesticar. Como falar de altas expectativas para jovens que são humilhados cotidianamente?”, questionou.

Aprendizagem baseada na prática

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco iniciou a segunda parte do Seminário e apresentou alguns dados que mostram a evasão escolar no Brasil. Segundo o economista, “de 100 pessoas que entram na escola, 96 terminam o Ensino Fundamental I, 83 o Fundamental II e 65 o Ensino Médio”. Henriques destacou ainda a importância do desenvolvimento de protocolos de gestão em educação para a identificação de problemas e busca por soluções.

Na sequência, Cesar Nunes, pesquisador no Grupo de Estudo e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM) da Faculdade de Educação da Unicamp, reforçou os ganhos do diálogo e da troca de experiência gestores para construção de conhecimento conjunto. “Só consigo melhorar uma ideia, se estiver aberto a ouvir”. O peruano Luís Bretel, membro fundador da Rede Panamericana de Aprendizagem Baseado em Problemas e do Programa Iberoamericano de Estudo de Casos, completou o discurso de Nunes ao falar sobre a aprendizagem a partir de problemas. Também defendeu a comunicação entre gestores para a identificação de situações problemáticas e a busca de soluções possíveis. “O planejamento deve ser construído por todos”, finalizou.

Fernando Abrucio, professor e pesquisador na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), enfatizou a necessidade de profissionais que entendam de juventudes. Por fim, Izolda Cela, vice-governadora do Ceará, trouxe algumas reflexões a partir de sua vivência como Secretária Municipal de Educação de Sobral e Secretária Estadual do Ceará. Para ela, “alinhamento, corresponsabilização e participação são o núcleo gerador de mudanças sustentáveis”. Destacou também a importância do desenvolvimento profissional dos diretores e do protagonismo desses gestores para que eles possam liderar processos de gestão na escola.

Lançamento do livro virtual “Ser Diretor”

O primeiro dia do Seminário também foi marcado pelo lançamento do livro virtual “Ser Diretor – uma viagem por 30 escolas públicas brasileiras”, uma iniciativa do Instituto Unibanco, com autoria do fotógrafo Eder Chiodetto. A publicação, que retrata o cotidiano de diretores da rede pública de seis Estados brasileiros. O superintendente do Instituto destacou que o livro “Ser Diretor” é uma das ações em comemoração aos 35 anos do Instituto. E completou: “É uma homenagem a todos os diretores de escola pública do País.