Reflexões e entrevistas

Instituto Unibanco e Fundação Santillana lançam livro de entrevistas inéditas com ex-ministros de Educação

6 junho 2018

Um bate-papo com mais de duas horas de duração sobre políticas educacionais e a atuação do MEC em quatro décadas marcou o lançamento, no último dia 4 de junho, do livro “Quatro décadas de gestão educacional no Brasil – Políticas públicas do MEC em depoimentos de ex-ministros”, na Pinacoteca de São Paulo. O livro, escrito pelo jornalista Antônio Gois, é uma iniciativa do Instituto Unibanco em parceria com a Fundação Santillana.

Gois mediou uma roda de conversa com os ex-ministros Henrique Paim e Renato Janine Ribeiro e a ex-secretária executiva Maria Helena Guimarães de Castro, os quais relembraram suas atuações no Ministério da Educação, os desafios e os avanços nesta trajetória. Eles são três das 14 autoridades da Educação brasileira entrevistadas no livro, que ocuparam a pasta entre os governos João Baptista Figueiredo (1979-1985) e Dilma Rousseff (2011-2016). “A estrutura do MEC é gigantesca, suga o gestor e a pressão é muito grande. Mas conseguimos avançar”, disse Henrique Paim, ministro da Educação entre 2014 e 2015. “O balanço geral hoje, se formos analisar as políticas educacionais, vamos ver que não tem uma ação única que resolva tudo e não é uma obra de um engenheiro só; são muitos engenheiros”.

Durante a conversa, Maria Helena Guimarães lembrou da gestão de Paulo Renato Soares, ministro de 1995 a 2002 durante o governo Fernando Henrique Cardoso, da qual ela participou como secretária executiva. “Quando assumimos tínhamos um diagnóstico claro da desigualdade no financiamento da Educação. Era um horror. O Maranhão tinha três vezes mais financiamento do que São Paulo. Isso acontecia porque o Maranhão não tinha alunos e São Paulo tinha 7 milhões. O segundo ponto prioritário foi a valorização do magistério e o terceiro era o compromisso com a educação básica. Havia um compromisso do governo Fernando Henrique e da área econômica para que a educação básica fosse prioridade nos investimentos”, disse ela. Maria Helena ainda destacou que, apesar da universalização da educação, ainda falta muito para atingir qualidade. “Não resolvemos o problema da qualidade. Também temos um problema grave na formação dos professores. Não conseguimos melhorar”, afirmou.

Renato Janine Ribeiro, que ocupou a pasta em 2015 durante seis meses do governo Dilma Rousseff, lembrou na sua fala da grande interferência política no funcionamento do MEC: “O Ministério precisa aprovar projetos de lei importantes e se você não tem condição de negociar com o Congresso é complicado”. Paim concordou com ele: “A questão política é inerente (ao MEC). Não tem como pensar em política educacional sem pensar em relacionamento político”.

O livro

O livro “Quatro décadas de gestão educacional no Brasil” está disponível para download no site do Observatório de Educação do Instituto Unibanco: bit.ly/livroExMinistros.

As entrevistas que integram a publicação foram realizadas também em vídeo para o Observatório – plataforma que reúne mais de 5 mil itens de informações, estudos, análises e dados sobre gestão educacional e Ensino Médio.

André Lázaro, diretor da Fundação Santillana, e Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, abriram o evento de lançamento. Henriques destacou a importância do livro para história da educação brasileira: “Nós ainda não tínhamos construído uma narrativa que desse conta de entender quais são os fios condutores da política educacional ao longo da história do MEC, nem de contextualizar as estratégias específicas. O livro é feliz nesse ponto de vista, porque qualifica as diferenças e consegue mostrar os elementos conduzidos que agregam valor ao longo do tempo. É possível entender melhor quais são as diferenças ao longo do ciclo de uma determinada gestão e como pontos discutidos anteriormente assumem protagonismo”.

Para Lázaro, o livro cumpre papel importante no debate e narrativa histórica: “O país só avança com educação de qualidade, equidade e inclusão. O livro tem o mérito de trazer a nós uma visão de permanência com as concepções, visões políticas e ideológicas. Temos que valorizar o debate político para ter uma educação pertinente e a obra respeita isso”.

Antônio Gois reforçou a importância do registro das políticas educacionais apresentadas no livro. “É importante olhar o passado para pensar o futuro. Vários indicadores apontam melhora e agora devemos pensar no futuro e avançar em todo contexto. Não podemos esquecer que temos uma capacidade já construída de professores, estruturas e escolas que no passado não existiam.”