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I Fórum de Grêmios Estudantis do Ceará mostra força dos jovens na construção das políticas públicas para além da educação

15 junho 2018

No dia 7 de junho, a Secretaria de Educação do Ceará (SEDUC), com o apoio do Instituto Unibanco, realizou o I Fórum Estadual dos Grêmios Estudantis das Escolas Públicas. Um dia de debates, troca de experiências, entrosamento e engajamento de 750 estudantes gremistas da rede pública de ensino de todo o Ceará. Logo no início da manhã, os jovens chegaram ao Centro de Eventos se apropriando dos espaços montados para o encontro e mostrando que têm muito a dizer sobre a construção de políticas não só para a educação, mas para todos os eixos que envolvem os direitos da juventude.

Depois da abertura do evento com a acolhida e uma breve explanação de como seria o dia de atividades, uma mesa redonda com especialistas e líderes do movimento estudantil discutiu o papel dos jovens na garantia dos direitos à educação e a participação juvenil na escola, na comunidade e na sociedade. Quem deu o tom das discussões foi o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Lucas Goki.

“Esse País só será transformado pela Juventude, que é o futuro, mas, principalmente, o presente, e que deve lutar por uma escola e uma sociedade sem machismo, sem preconceito racial, sem lgbtfobia. Uma sociedade em que não tenha gente dormindo no chão em frente a uma loja de colchões. Nós somos o movimento estudantil, justamente porque não podemos ficar parados. Temos de nos movimentar, mostrar que o futuro é está nas nossas mãos, a partir de agora, do hoje”, afirmou Pedro Lucas.

O ex-secretário nacional de Juventude e analista sênior do Instituto Unibanco, Gabriel Medina, afirmou a necessidade de se dar voz à diversidade de opiniões a partir dos os jovens e levando em conta a própria formação da sociedade brasileira. “Os espaços ainda são muito masculinos, muito heterossexuais, muito brancos. E nesse encontro de gremistas buscamos sensibilizar a pluralidade, por meio do diálogo efetivo com os jovens, com participação não só por meio da fala, mas também com expressões artísticas e culturais. O jovem precisa ser visto como um sujeito de conhecimento. Precisamos ouvir o que eles têm a dizer, fomentar a autonomia política dentro das escolas. Os grêmios não podem ser tutelados pelos gestores.”

Concluída a mesa redonda, os estudantes foram divididos em 14 grupos de trabalho, desenvolvidos por meio da metodologia design thinking, um processo de pensamento crítico e criativo que permite organizar informações, ideias, tomar decisões, aprimorar situações e adquirir conhecimento.  Foi neste momento que os jovens mergulharam nos onze eixos temáticos do Estatuto da Juventude.

Nos grupos, eles puderam encarar a problemática do respeito a cada um desses direitos nas escolas e na comunidade, e apresentar soluções viáveis para aplicação, a partir dos grêmios estudantis, que são agentes de transformação e ocupação de espaços para a garantia e ampliação de direitos. Ao final do processo de criação e efervescência de ideais, os líderes dos grupos apresentaram as propostas em plenária.

O encerramento ficou por conta secretário da Educação do Estado do Ceará, Rogers Vasconcelos Mendes, que destacou a importância da participação das juventudes na construção de políticas públicas: “A gente entende que não há política pública que seja planejada sem uma grande audiência e um diálogo franco e aberto, ouvindo as pessoas que diretamente serão beneficiadas pelo serviço que está sendo proposto. E aí o jovem ser ouvido é fundamental. Não adianta pensar em política educacional sem dialogar com a expectativa e os anseios. E não somente do presente. Esse jovem tem um projeto de vida e se não tem precisa ser apoiado e incentivado para criar. E o gestor público precisa ter essa sensibilizado para oferecer um serviço que atenda a todas as expectativas e anseios dos jovens”.