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Educação é uma questão política, dizem convidados do último debate da série “Olhares para Educação Pública”

O debate realizado na terça-feira (04.06), no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP), trouxe dimensões importantes para as reflexões sobre educação, com destaque para a sua natureza política e para a relação com os territórios. Desta vez, os convidados foram o escritor e ativista cultural Ferréz, a artista visual Rosana Paulino e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

“Estamos vivendo um momento em que a dimensão política é fundamental em qualquer debate, entendendo como política a capacidade de desencadeamento de ações concretas para modificar estruturas e situações que não nos parecem adequadas”, disse Paulo Mendes da Rocha. Ele também trouxe para a discussão a relação dos espaços e territórios com as questões amplas da sociedade. “Devo lembrar que uma das funções da cidade é construir um lugar onde possamos conversar – ela é feita para que um possa falar com o outro. Portanto tudo o que impede a expressão e o nosso tempo livre é deseducativo”. Para ele, o ensino como é hoje, foi tomado como um instrumento de dominação, “que confina as pessoas em quadras”.

A artista Rosana Paulino falou sobre a relação com o território e de que não é possível desvincular a educação dos espaços de cultura. Neste sentido, segundo ela, a escola poderia ser o lugar para entender os desafios e as possíveis respostas para os problemas enfrentados no território. “A escola pública é um elemento de igualdade social e de experiência que deve ser destacado, onde novas políticas são gestadas e reflexões mais profundas sobre o que é a sociedade brasileira e como nós podemos muda-la deve ser destacado”, defendeu.

Ainda sobre a relação da educação com a cultura, e o cotidiano das pessoas, Ferréz alertou: a escola está descolada da realidade dos jovens estudantes. “Meu livro não está na escola”. Em outro momento, trouxe uma importante reflexão “A escola não dá vivência. A escola nos ensina sobre o Canadá, mas não nos faz sonhar com a possibilidade de ir ao Canadá, de ir mais longe. Ela não dá a iniciativa para a gente participar do mundo”.

 

Reflexões sobre uma educação transformadora

O superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, iniciou as reflexões da noite lembrando da necessidade de uma defesa contundente da educação. “Talvez nenhum pensador minimamente consistente após a segunda guerra tenha imaginado que poderíamos ter chegado, em tão pouco tempo, a uma realidade como a que estamos vivendo. Uma realidade que nega bases fundamentais daquele projeto que tentamos construir como sociedade contemporânea, que nega a racionalidade e que recusa até a condição atual da ciência”, disse.  Ele afirmou que o Instituto tem como visão fomentar discussões para encontrar caminhos que sejam efetivos e transformadores na direção do conhecimento e da garantia de direitos.

A jornalista Flávia Oliveira, que mediou o debate, enfatizou a importância de uma mobilização em torno do tema e lembrou que naquele dia, seis ex-ministros da Educação, de vários governos, divulgaram uma carta de posicionamento sobre as conquistas que foram alcançadas na área nas últimas décadas. “Esse é um ato incomum da política, quando forças, muitas vezes de posições diferentes, se unem em torno de uma causa. É nesse contexto e nesse ambiente de disputa de narrativas que nós também nos reunimos aqui no MIS como sociedade civil. E não apenas com educadores. A ideia é democratizar, trazer toda a sociedade civil e oxigenar as reflexões. A escola e a educação pública são uma agenda de todos nós e é por isso que as mesas dessa série são tão diversas”, explicou.

Confira como foi o 3º debate da série Olhares para Educação Pública