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Educação não pode sofrer retrocessos, defendem convidados da terceira noite de debate no MIS

Com visão ampla de educação, que extrapola os muros da escola, a terceira conversa da série “Olhares para Educação Pública”, realizada pelo Instituto Unibanco no MIS (Museu da Imagem e do Som), uniu convidados e plateia sob um forte consenso de que o Brasil não pode ter retrocessos na área. A conversa contou com o psicanalista Christian Dunker, a escritora e atriz Elisa Lucinda e o escritor  Daniel Munduruku.

Dunker abriu sua fala lembrando que a educação pública teve avanços significativos no Brasil nos últimos 15 anos, especialmente no que se refere à inclusão de crianças no sistema escolar e à democratização no ensino, mas que agora o país começa a dar sinais de recuo. “História não é um progresso constante, ela tem idas e vindas. E nós estamos nesse momento de volta”, disse.  “Estamos vivendo um momento que tenta instituir de novo a uniformidade – de um modelo de indivíduo, de escola e de pensamento. Isso é retrocesso. ”

Para Elisa Lucinda, mesmo com os avanços, o país ainda precisa dar passos mais largos em direção à justiça social e ao conhecimento. “O Brasil começou com um genocídio. E essa é a marca sangrenta da nossa história. Mas há uma narrativa vencedora dentro das nossas escolas e da nossa sociedade que nos faz uma nação que não sabe nada de Palmares, nada sobre os séculos de escravidão. Há uma ignorância assustadora”, falou Lucinda. Segundo ela, a educação, de forma ampla, é fundamental: “Palavra é ferramenta de cidadania”, defendeu.

O escritor Daniel Munduruku compartilhou sua experiência como estudante nos anos de 1970. “Fui para a escola obrigado, e obrigado também a rejeitar tudo o que eu era. Não podia falar na minha língua e sofria um massacre da instituição e dos colegas constantemente. Foi um processo de apagamento de identidade”, revelou ao lembrar do seu ensino formal nas escolas públicas. No entanto, também explicou que encarou a formação na universidade e as pós-graduações que fez como oportunidades únicas que o reaproximaram de sua gente e história. Ele é graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia e é Doutor em Educação pela USP e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos. Mas perguntado sobre o que ele acha do sistema de ensino, disse convicto: “A educação precisa de uma revolução. Precisamos nos entender como parte do mundo. Somos teia”.

Este foi o penúltimo encontro do ciclo de debates que compõe a programação do projeto “Ser Diretor – Uma viagem por 30 escolas públicas brasileiras”, que ainda tem livro e exposição em cartaz no MIS até o dia 23 de junho. O último debate será no dia 4 de junho às 19h00, com o escritor e ativista cultural Ferréz, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha e a artista Rosana Paulino.

 

Confira como foi o segundo debate da série Olhares Para Educação Pública