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Seduc-GO e Instituto Unibanco promovem webinário sobre educação antirracista

17/11/2020 | Editado em 17/11/2020 16:29

Encontro realizado em 9 de novembro direcionado a profissionais da rede estadual de educação discutiu formas de reduzir os impactos da desigualdade racial nas escolas

O Instituto Unibanco e a Secretária de Estado de Educação de Goiás (Seduc-GO) realizaram, no dia 9 de novembro, o webinário Escola e desigualdades: construindo uma agenda antirracista. Com abertura de Fátima Gavioli, secretária de Educação de Goiás, e Tiago Borba, gerente de planejamento e articulação institucional do Instituto Unibanco, o encontro contou com a participação de Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo; André Lázaro, diretor da Fundação Santillana; e Gina Vieira Ponte de Albuquerque, professora de Educação Básica na Secretaria de Educação do Distrito Federal. A mediação ficou a cargo de Itatiara Teles de Oliveira, gerente de Ensino Médio na Seduc-GO.

Iniciando o webinário, Fátima Gavioli ressaltou a importância de a pauta antirracista estar no centro das discussões no campo da educação. Segundo ela, vivemos um período em que o enfrentamento e a busca pela erradicação das desigualdades é muito evidente. “É um momento em que o mundo está dando sinais de que é intolerável perpetuar as desigualdades na sociedade”, afirmou. Em seguida, Tiago Borba aproveitou sua fala para destacar o compromisso do Instituto Unibanco em elaborar e implementar soluções de gestão comprometidas com a aprendizagem de todas e todos os estudantes. Para ele:

“A Educação é um campo estratégico para reduzir as desigualdades. Existe uma relação intrínseca entre as desigualdades raciais e o desempenho escolar e essa relação se dá no cotidiano da escola. Diante disso, a construção antirracista para Educação brasileira é uma tarefa essencial”.

Em sua apresentação, André Lázaro trouxe dados do Raio X do Racismo no Brasil, divulgado pelo Senado Federal em junho de 2020 e da PNAD Contínua 2019, do IBGE, que mostra que enquanto 90,4% dos alunos brancos de 11 a 14 chegam aos anos finais do ensino fundamental, a taxa entre os estudantes negros é de 85,8%.

“Por isso, a Educação tem um papel muito importante no enfretamento destas desigualdades. É preciso enfrentar os preconceitos e as visões estereotipadas, desmistificar a meritocracia e dar voz e reconhecimento aos grupos que sofrem desigualdades”, afirmou o diretor da Fundação Santillana.

Já a professora Gina Vieira mostrou cinco passos necessários para a construção de projetos políticos-pedagógicos antirracistas. São eles: reconhecer o racismo em todas as estruturas sociais, inclusive a escola; reconhecer que todas as pessoas foram formadas dentro dessa estrutura racista e reproduz esta lógica; qualificar os profissionais em suas formações quanto à temática étnico-racial; identificar as formas sutis ou mais evidentes de racismo no espaço escolar; e combater o currículo festivo e colocar as discussões em todo o ano letivo, não deixando o debate apenas para o Dia Nacional da Consciência Negra (celebrado em 20 de novembro). A educadora ressaltou que:

“É preciso lembrar que o material didático também é racista e ainda apresenta a narrativa branca e eurocentrada, silenciando a história dos oprimidos, uma vez que indígenas e pessoas negras foram excluídos da história oficial. Para termos uma agenda antirracista, devemos ter uma relação insubmissa com o currículo e levar para sala de aula autores que não costumam ser lidos”.

Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, destacou em sua fala que, para garantir uma agenda antirracista na educação, é necessário um compromisso ético-político combinado à competência técnico-pedagógica. “Os diretores e coordenadores das escolas são fundamentais nesse processo. Eles devem fazer intervenções e questionar-se em como o espaço da escola é organizado, como lida-se com os conflitos entre professor e aluno, como é a relação com a comunidade e o que fazer quando um professor demonstra um questionamento racista”, explicou.

Encerrando o encontro, a mediadora Itatiara Teles de Oliveira relembrou uma reflexão de Nelson Mandela. “Ninguém nasce odiando os outros pela cor da pele e condição social. E se aprenderam a ter atitudes preconceituosas, podem aprender o contrário. E isso cabe a nós, educadores, que estamos em sala de aula, na Seduc, cabe aos parceiros como o Instituto Unibanco, que tem nos oferecido momentos tão enriquecedores como esse”, disse.

“Eu tenho um sonho de ver a Seduc Goiás e seus educadores desenvolvendo, no seu dia a dia, ações para contribuir com a educação democrática. E, para realizar esse sonho, convido todos a lutarem conosco”, finalizou.

O webinário completo está disponível em: