EM GOIÁS, ESPECIALISTAS EM EDUCAÇÃO DISCUTEM RECOMPOSIÇÃO E AMPLIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS COM ESTRATÉGIA E GOVERNANÇA
Os eventos “Recomposição e Ampliação das Aprendizagens: Encontro Formativo de Tutores Educacionais e Assessores Pedagógicos” e “8º Encontro de Gestores Escolares: Recomposição e ampliação das aprendizagens” reuniram profissionais da rede estadual dos dias 24 a 26 de fevereiro

Evento reuniu cerca de 1300 profissionais em Goiânia (Crédito: divulgação)
Entre os dias 24 e 26 de fevereiro, o Centro de Convenções de Goiânia sediou dois eventos promovidos pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), em parceria com o Instituto Unibanco, que aprofundaram a política de Recomposição e Ampliação das Aprendizagens na rede estadual. As agendas reuniram aproximadamente 1300 profissionais, entre tutores, assessores pedagógicos e diretores, com foco na organização estratégica das ações para 2026, no fortalecimento da governança e no uso qualificado de dados.
O primeiro momento, realizado na tarde do dia 24 e na manhã do dia 25, foi voltado à formação dos tutores e assessores pedagógicos. Com cerca de 300 especialistas, o encontro “Recomposição e Ampliação das Aprendizagens: Encontro Formativo de Tutores Educacionais e Assessores Pedagógicos” aprofundou conceitos, alinhou diretrizes e preparou as instâncias intermediárias para apoiar as escolas na implementação qualificada da política.
Já na tarde do dia 25 e na manhã do dia 26, os diretores escolares se juntaram ao público para o “8º Encontro de Gestores Escolares: Recomposição e ampliação das aprendizagens”. A programação ampliou a discussão sobre liderança, ética e tomada de decisão orientada por resultados, consolidando a pactuação das prioridades da rede.
Recomposição como política estruturante
Ao longo das atividades, a Recomposição e Ampliação das Aprendizagens foi apresentada como uma política pública permanente da educação goiana, e não como uma resposta circunstancial. O objetivo é enfrentar lacunas históricas e garantir que todos os estudantes avancem em sua trajetória escolar com equidade, considerando contexto, território e perfil dos grupos atendidos.
“A recomposição não é um conceito pontual. Ela já existia na rede, ainda que com outras denominações. Hoje, ganha estrutura e intencionalidade, olhando para o contexto do estudante e para os diferentes grupos, com foco na equidade. É preciso conhecer a realidade para garantir que todos aprendam”, afirmou Alessandra Almeida, diretora pedagógica da Seduc-GO.

Todos os profissionais receberam um guia para apoiar na discussão e entendimento da política (Crédito: divulgação)
Desse modo, a política busca resgatar e consolidar habilidades essenciais, ampliando aprendizagens a partir de diagnósticos consistentes. Embora, em determinados momentos, Língua Portuguesa e Matemática recebam maior atenção estratégica, a orientação é que todos os componentes curriculares estejam envolvidos. O compromisso é assegurar o direito à aprendizagem, sem restrições, e reduzir desigualdades de forma consistente.
A 4ª geração do Jovem de Futuro já começou
Os encontros também marcaram um avanço na reorganização do Plano de Ação das escolas para 2026. A partir de agora, o documento será estruturado em sete alavancas, que integram governança, formação, comunicação e engajamento, avaliações educacionais, currículo e materiais, sistemas e dados e monitoramento e gestão. O novo formato não exige um maior número de ações, mas organiza de maneira estratégica o que já é realizado na rede.
Essa proposta dialoga diretamente com a 4ª geração do Jovem de Futuro (JF4), que integra o Circuito de Gestão Goiano ao Ciclo de Políticas Públicas, conectando formulação, implementação, monitoramento e revisão das ações educacionais. A partir da Teoria da Mudança, problemas são analisados em suas causas estruturais e transformados em impactos sociais desejados, orientando decisões mais alinhadas às prioridades atuais.

Para alcançar as metas pactuadas, cada instância é fundamental (Crédito: Divulgação)
Nesse contexto, o monitoramento ganha centralidade. Mais do que acompanhar resultados finais, trata-se de observar continuamente a implementação das ações, identificar gargalos e ajustar rotas com base em evidências. Ferramentas como o Sistema de Gestão para o Avanço Contínuo da Educação (SIGAE) apoiam o registro, a organização e a análise dos dados, fortalecendo a capacidade analítica das instâncias e qualificando a tomada de decisão.
Liderança pública e compromisso com a aprendizagem
Com tantos gestores escolares presentes, a discussão sobre liderança ética reforçou que a gestão escolar é uma liderança pública, regida por critérios claros, transparência e compromisso com o interesse coletivo. A aprendizagem com equidade foi apresentada como princípio orientador das decisões, sustentando a responsabilidade das instâncias na implementação da política.

Tutores, assessores pedagógicos e diretores participaram de dinâmicas sobre os temas discutidos (Crédito: divulgação)
Assim, a lógica de implementação foi comparada a uma corrida de revezamento: a Secretaria estrutura diretrizes, materiais e formações; as regionais acompanham e organizam; tutores e assessores pedagógicos apoiam as escolas; e os diretores lideram a execução no cotidiano escolar. O avanço depende da articulação entre todos os atores desse Circuito de Gestão.
Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, o compromisso com a aprendizagem também sustenta a própria democracia. “A educação básica é um dos pilares da democracia. A aprendizagem com equidade é um compromisso democrático. Podemos negociar muitas coisas na escola, mas nunca a aprendizagem. Todos precisam aprender”, afirmou.