Imersão Estadual de Lideranças Escolares fortalece o alinhamento da rede estadual do Espírito Santo para 2026
Encontro sinaliza o início da 4ª geração do programa Jovem de Futuro e apoia prioridades da rede para 2026, com foco na recomposição das aprendizagens

Mirela de Carvalho, gerente de Implementação de Programas e Projetos Educacionais do
Instituto Unibanco, destacou a conexão entre o encontro e a nova fase do Jovem de Futuro no ES
A Imersão Estadual de Lideranças Escolares, realizada nos dias 20, 21 e 22 de janeiro, no Sesc Praia Formosa, em Aracruz, marcou o início de uma nova etapa do programa Jovem de Futuro no Espírito Santo. Promovido pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu-ES), em parceria com o Instituto Unibanco, o encontro formativo reuniu gestores escolares, equipes das Superintendências Regionais de Educação e representantes do órgão central da Secretaria, consolidando-se como um momento-chave de planejamento para 2026, ano orientado pela recomposição das aprendizagens.
Para o Instituto Unibanco, a Imersão representa um marco estratégico na relação com a rede estadual e no lançamento da 4ª geração do Jovem de Futuro (JF4). “Esse evento é fundamental para o planejamento de 2026 e tem um mote que, além de muito relevante, é apaixonante: um mundo de oportunidades. É um espaço de discussão e construção de caminhos para ampliar as possibilidades dos jovens, assegurar o direito à aprendizagem, fortalecer a liderança pedagógica dos gestores escolares e integrar as orientações do nível central à realidade das escolas”, destacou Felipe Souza, coordenador de Implementação de Políticas Públicas Educacionais do Instituto Unibanco.
Segundo Felipe, o encontro também reafirma o compromisso do Instituto com o fortalecimento das políticas educacionais no estado. “Estar ao lado da Sedu-ES significa reunir pessoas, debates e estratégias de forma qualificada, entendendo que existem momentos de palco, mas também de sala, de troca e de aprofundamento. É essencial que a rede se reconheça, se conecte e tenha clareza sobre suas prioridades”, afirmou.
Nesse contexto, a Imersão foi concebida como um evento disparador do JF4 no Espírito Santo. A nova geração do programa propõe uma leitura renovada do plano de ação escolar, agora estruturado a partir de alavancas de governança, que orientam decisões nas áreas de gestão, comunicação, formação e uso de dados. “A ideia de alavanca refere-se a um impulso para que uma ação gere melhores resultados. Estamos falando de fortalecer a governança da política desde o gabinete até a sala de aula, transformando decisões em prática”, explicou Felipe Souza.
A programação do encontro foi organizada em um arco formativo que articulou compreensão de sentido, análise, tomada de decisão e pactuação. Ao longo dos três dias, os participantes refletiram sobre os desafios do próximo ciclo, reforçando a importância de escolhas estratégicas, coerentes e orientadas por evidências. Nesse contexto, ao apresentar as diretrizes pedagógicas da rede, a subsecretária de Educação Básica e Profissional da Sedu-ES, Andrea Guzzo, reforçou que a recomposição das aprendizagens é uma prioridade estruturante da política educacional do estado. Segundo ela, o diagnóstico deve orientar as escolhas pedagógicas das escolas, articulando currículo, formação, materiais e avaliação. “Não é possível planejar sem saber de onde se parte”, destacou, ao enfatizar o papel da liderança dos diretores na condução desse processo.
Guiada pela ideia-força “Um mundo de oportunidades”, a Imersão também evidenciou o papel do desenvolvimento profissional como eixo estruturante da política educacional. No Espírito Santo, a criação de um centro de formação de profissionais da educação foi apresentada como um avanço relevante, com apoio institucional do Instituto Unibanco na definição de estratégias e no mapeamento das necessidades formativas da rede.
Representando o Instituto Unibanco, a gerente de Implementação de Programas e Projetos Educacionais (GIPPE), Mirela de Carvalho, destacou a conexão entre o encontro e a nova fase do Jovem de Futuro no Espírito Santo. Segundo ela, o Jovem de Futuro 4 tem como foco o fortalecimento da implementação e o aperfeiçoamento de políticas públicas, com ênfase na recomposição das aprendizagens, eleita como prioridade da parceria com a rede. “É uma continuidade do trabalho que já desenvolvemos no Circuito de Gestão, agora com uma camada adicional de atenção à implementação e ao monitoramento de políticas, para gerar mais aprendizagem de forma sistêmica e integrada”, afirmou.
Ao abordar o uso de dados no acompanhamento das ações, Mirela reforçou que ferramentas como o Índice de Consistência da Implementação (ICI) são meios para qualificar decisões, mas não substituem a governança. “Dado sem reunião e sem decisão é só um dado, não é evidência. O que transforma informação em impacto é a capacidade de analisar, pactuar e corrigir rotas”, completou.
Durante o encontro, o Mapa de Ação da Escola foi ativado como dispositivo central de apoio à tomada de decisão. Construído de forma progressiva ao longo das atividades, o instrumento apoiou diretores e equipes na análise de evidências, na definição de prioridades pedagógicas e na tradução dessas escolhas em ações concretas para 2026.
A reflexão sobre o uso qualificado de evidências também esteve no centro dos debates. Para o pesquisador da Fundação Carlos Chagas, Rodnei Pereira, decisões pedagógicas orientadas por diagnósticos consistentes são mais do que uma escolha técnica. “Tomar decisões informadas por dados é um ato ético”, afirmou, ao destacar que a recomposição das aprendizagens deve ser tratada como uma prioridade sistêmica, que exige foco, clareza de papéis e coragem para estabelecer prioridades.
Ao encerrar o encontro, o secretário de Estado da Educação do Espírito Santo, Vitor de Angelo, destacou a importância de fortalecer a coerência e a institucionalidade das políticas educacionais. Para ele, o avanço da rede passa pela profissionalização da gestão e pela continuidade das ações ao longo do tempo. “As políticas não devem se apoiar em indivíduos, mas em instituições. Quando são claras, coerentes e compartilhadas, permanecem independentemente de quem esteja na liderança”, afirmou. O secretário também reforçou o caráter humano do trabalho educacional. “No fim, educação é feita por pessoas. E é cuidando das pessoas que a gente constrói uma rede mais forte e mais justa.”
As escolas saíram da Imersão com compromissos mais claros e focados, reforçando a corresponsabilidade da rede estadual na oferta de oportunidades educacionais e consolidando a gestão pedagógica como uma alavanca essencial para a melhoria das aprendizagens.