JORNADA SEDU 2026 MOVIMENTA A AGENDA EDUCACIONAL CAPIXABA
Realizada entre 3 e 5 de março em Aracruz (ES), a jornada reuniu 700 gestores da Sedu‑ES e Cefope para alinhar governança, equidade, formação e uso de dados, fortalecendo decisões orientadas à aprendizagem e às oportunidades de cada estudante. O encontro foi feito em parceria com o Instituto Unibanco.

Jornada SEDU 2026 celebra conquistas e reforça o compromisso coletivo de fortalecer um legado de oportunidades para a educação no Espírito Santo
O ano de 2026 tem sido intenso para a educação no Espírito Santo. Em janeiro, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu‑ES), em parceria com o Instituto Unibanco, promoveu a Imersão Estadual de Lideranças Escolares, etapa formativa voltada a gestores das unidades, equipes das Superintendências Regionais de Educação e representantes do órgão central. Do ponto de vista do Instituto Unibanco, a imersão representou um marco por lançar a 4ª geração do Jovem de Futuro (JF4), que reposiciona o plano de ação escolar com base em alavancas de governança – gestão, comunicação, formação e uso de dados – para aproximar decisões e práticas do gabinete à sala de aula.
Na sequência, de 3 a 5 de março, a rede se reuniu no Sesc Praia Formosa, em Aracruz, para a Jornada SEDU 2026 – “Legado que permanece: assegurar um mundo de oportunidades para cada estudante”. O evento, realizado pela Sedu‑ES em parceria com o Instituto Unibanco e com o Centro de Formação dos Profissionais da Educação do Espírito Santo (Cefope), reuniu cerca de 700 gestores educacionais, que revisitaram avanços e pactuaram responsabilidades. Ao longo de três dias, conferências, mesas e oficinas promoveram reflexões sobre qualidade, equidade, inclusão, formação continuada e diagnóstico, tendo como fio condutor o legado: compreender o que foi construído, quais os resultados e o que deve ser sustentado.
A mesa de abertura, conduzida por Felipe de Souza, coordenador de implementação de políticas públicas do Instituto Unibanco, partiu da pergunta “Quais avanços não podem retroceder?”. As contribuições destacaram o Circuito de Gestão Capixaba, com rotinas e intervenções mais claras; o fortalecimento do Conselho Estadual de Líderes; e a consolidação de políticas estruturantes, como Ensino Médio articulado à Educação Profissional Técnica, educação em tempo integral, ações de equidade – inclusive a Educação de Jovens e Adultos (EJA) com formação profissional – e educação especial. No campo da gestão, foram ressaltadas a sistematização de projetos e processos via escritórios locais, a qualificação de seleções e ganhos em TI e conectividade. No cotidiano escolar, a alimentação aparece como referência, a climatização já alcança 71% das escolas e os arranjos institucionais otimizam laboratórios e salas de recursos.
Outro ponto enfatizado foi o uso de dados. A rede opera hoje com informações próprias e sistematizadas, superando a informalidade e orientando políticas de busca ativa, expansão da EJA e um olhar centrado no estudante, do campo aos territórios quilombolas. Também foram discutidas as desigualdades intra e interescolas, propondo análises para casos de baixo desempenho. Ao final da mesa, emergiram “sonhos” que pautam os próximos passos: garantir aprendizagem com melhoria contínua; 100% de crianças alfabetizadas na idade certa; colocar a educação do Espírito Santo entre as melhores do país; assegurar oportunidades iguais e a permanência até a conclusão da Educação Básica.
O tema do legado foi aprofundado na mesa “O que sustenta políticas em tempos de mudança”, mediada pelo jornalista Antônio Gois. O debate destacou que políticas sólidas se apoiam em culturas institucionais, arranjos simbólicos e estabilidade, somados a marcos legais que asseguram coerência e continuidade. Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, o Espírito Santo ampliou oportunidades e construiu um legado robusto, capaz de sustentar novos avanços quando políticas coerentes e consistentes atravessam ciclos de governo e incidem, sobretudo, nas competências dos atores públicos. Já Natália Satyro, da UFMG, diferenciou políticas de governo e políticas de Estado, lembrando resistências históricas (como a avaliação educacional nos anos 1990) e reforçando que institucionalização e legitimidade demandam tempo e diálogo.

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, reforçou que “o legado que permanece é aquele que escolhemos sustentar!”
A equidade racial ocupou o centro do segundo dia, com a participação de Aline de Freitas Dias, Gerente de Educação Antirracista do Campo, Indígena e Quilombola da SEDU/ES, e Zara Figueiredo, Secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério de Educação e Cultura (MEC). Aline apresentou avanços e reforçou a necessidade de inscrever a equidade como memória de política pública, na qual os desafios centrais são os da desigualdade. Ela também destacou a implementação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro‑Brasileira no Ensino Fundamental e Médio, defendendo que a educação para a equidade ultrapasse métricas e dê voz, vida e liberdade a estudantes e comunidades.
Na sequência, Zara provocou a rede com a pergunta “Que escola produz um mundo de oportunidades?” e relatou sua trajetória para ilustrar que a instituição de ensino pode salvar e ferir quando não reconhece as diferenças de ponto de partida. Para ela, qualidade e equidade são indissociáveis: políticas devem ser regra, com estratégias distintas para grupos distintos, acompanhamento individual e decisões orientadas por evidências. No quesito avaliação, Zara defendeu o uso formativo como linha de base para o progresso de cada estudante, e não para comparações classificatórias. A frase que ecoou entre os participantes sintetiza o compromisso: “O maior ato antirracista que pode existir é uma criança preta alfabetizada.”
Em paralelo, a jornada tratou a formação continuada como política de desenvolvimento profissional, o que é muito diferente de ofertar cursos pontualmente. As oficinas e debates reforçaram que a formação precisa estar ligada à prática, considerar carreira, condições de trabalho, cultura institucional, avaliação e comunidades de aprendizagem, além de ser intencional, contínua e contextualizada. O foco final, sublinhado ao longo das sessões, passou pela necessidade de mudar práticas para melhorar a aprendizagem.
No último dia, a formação integral foi discutida por Carolinne Ornellas, Gerente de Educação em Tempo Integral da SEDU/ES, e Maria Medeiros, consultora pedagógica do Instituto Sonho Grande. A rede capixaba consolidou a educação em tempo integral como objetivo estratégico, com acolhimento, protagonismo juvenil e educação interdimensional. Hoje, 60% da rede opera em tempo integral, com currículo intencional e processos pedagógicos robustos. Maria deu ênfase ao arcabouço teórico que sustenta a política pública, passando pela reflexão de que tempo integral não é educação integral, uma educação integral eficaz vai muito além do ensino de conteúdos acadêmicos ou da quantidade de tempo que se passa na escola, ela abraça a ideia de promover o crescimento global dos estudantes.
Nesse sentido, ela falou sobre a importância de considerar o projeto de vida dos estudantes na centralidade do desenvolvimento das políticas públicas, bem como a necessidade de ter um modelo pedagógico que se sustente, com uma matriz curricular intencional, com o acolhimento típico da pedagogia da presença, com o ‘ganhar escala com qualidade’ pela perspectiva de alinhamentos que considerem aspectos conceituais, processuais e atitudinais, a importância da formação continuada no chão da escola, promovida pelas regionais, pelo órgão central. E os frutos dessas ações estão na melhoria da aprendizagem, em um projeto de vida bem consistente, na melhoria dos resultados educacionais, na realização dos sonhos dos estudantes.
A mesa “Diagnóstico como condição para um mundo de oportunidades” reuniu José Francisco Soares, Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Bianca Silva Santana, Gerente de Avaliação da SEDU/ES para defender a avaliação como garantia do direito de aprender. Eles discorreram sobre a avaliação formativa como parte integrante do ensino e aprendizagem, permitindo ajustes contínuos e feedbacks que chegam em tempo de apoiar o estudante; já a avaliação para aprendizagem envolve o aluno no processo, usando critérios claros, rubricas e autoavaliação para orientar o próximo passo. A síntese de Chico foi direta: mostrar quem não aprendeu é um ganho, mas é preciso ir além do diagnóstico, planejando intervenções e acompanhando resultados, um entendimento convergente com as alavancas do JF4 e suas rotinas simples de uso pedagógico de dados.
O encerramento trouxe reflexões sobre a Política Nacional do Ensino Médio, com Andréa Guzzo Pereira, Subsecretária de Estado da Educação Básica e Profissional da Sedu/ES e Roberto Rafael Dias da Silva, professor do programa de pós-graduação em educação da UNISINUS. Andréa relatou a consolidação dos itinerários formativos e de aprofundamento, inclusive no Ensino Médio Noturno, com diretrizes consistentes, projetos integradores e foco em justiça curricular para responder às realidades dos territórios. Roberto elogiou a rede capixaba e problematizou a ideia de “escola justa” para os jovens, diferenciando igualdade de posições, a necessidade de reduzir distâncias estruturais, de promover igualdade de oportunidades, gerando equilíbrio que segue orientando ajustes e aperfeiçoamentos.
Ao final, a Jornada Conexões SEDU 2026 reafirmou o estado do Espírito Santo como referência em política educacional que aprende com dados, decide com governança e age com equidade. Para o Instituto Unibanco, o encontro fortalece a parceria com o Estado e aprofunda a implementação da 4ª geração do Jovem de Futuro, com uma ambição clara: transformar decisões em aprendizagem e consolidar um legado de oportunidades para cada estudante.