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Busca Ativa é tema de webinário em Goiás

05/11/2020 | Editado em 05/11/2020 17:20

Com mais de mil espectadores, evento direcionado aos profissionais da rede estadual de Goiás discutiu formas possíveis de realizar a busca ativa de estudantes frente à crise na educação gerada pela pandemia

A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO) e o Instituto Unibanco realizaram, no dia 28 de outubro, o webinário Busca ao Tesouro: Boas práticas para a redução do abandono escolar. O evento, exclusivo para os gestores e professores da rede estadual de educação, integra as ações do programa Jovem de Futuro.

Participaram do encontro online, que teve mais de mil espectadores, Fátima Gavioli, secretária de educação de Goiás; Patrícia Morais Coutinho, superintendente de organização e atendimento educacional da Seduc-GO; Daniella Rocha, consultora de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); Maria José Aguiar dos Reis Silva, assessora pedagógica de Planaltina (GO); e Ramon Martins, diretor do Colégio Estadual Pedro Neca. A mediação foi do jornalista José Antônio Cardoso.

Abrindo o evento, Fátima Gavioli reforçou a importância de um esforço coletivo para buscar e incentivar o retorno às escolas dos estudantes que fizeram poucas ou nenhuma atividade durante o ensino remoto. Reafirmou também a necessidade das gestões e das políticas públicas assumirem que 2020 não foi um ano de condições normais de trabalho, principalmente no que tange o cumprimento de metas e avanço dos conteúdos. Fátima defendeu que não se pode penalizar os estudantes com reprovação e afirmou que

“nem um de nós trabalhou num ano normal. Nem os professores conseguiram passar da forma como haviam previstos no início do ano, nem os diretores conseguiram ter um ano letivo da forma como haviam previstos, nem as assessoras pedagógicas, muito menos a Secretaria de Educação. Então não é justo que a gente deixe essa conta agora no final do ano para o aluno pagar”.

Na sequência, Daniella Rocha fez uma apresentação sobre conceitos e metodologias da busca ativa, com propostas de ação para este momento de crise. Daniella definiu a busca ativa como um conjunto de práticas que garantem os direitos básicos dos estudantes, e, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, devem ser realizadas de forma integrada entre as áreas da Educação, da Saúde e da Assistência Social. Além disso, ela apresentou uma esquematização de ações na busca ativa escolar dividida nas etapas de identificação dos problemas; acionamento das redes públicas responsáveis; fortalecimento da intersetorialidade entre as redes; rematrícula, matrícula ou permanência dos estudantes na escola; e produção de informações diagnósticas.

“A escola está inserida dentro de um território e nesse território, muito provavelmente, haverá um serviço da Assistência, da Saúde, pode ter um do Conselho Tutelar, pode ter uma Organização da Sociedade Civil. Então, esses serviços podem atuar de uma maneira mais próxima, mais intersetorial”, sugeriu Daniella.

Patrícia Morais Coutinho, em sua fala, alertou para o desafio de atender uma grande quantidade de estudantes que entraram em vulnerabilidade por conta da pandemia. Para traçar metas e planejar ações focadas, a Secretaria aplicou um questionário de pesquisa com os diretores de mais de 900 escolas da rede sobre a atual relação dos jovens e suas famílias com a escola. A pesquisa buscou identificar as maiores dificuldades encontradas pelas escolas para manter o vínculo com estudante e mapear ações de busca ativa com resultado positivo. A superintendente explicou que, atualmente, o estado tem focado em ações como busca ativa por telefone com os jovens e as famílias; entrega de kits alimentação; mobilização da comunidade escolar; e motivação e acolhimento dos jovens e responsáveis.

“Tudo isso que está sendo feito gera o impacto do aumento da participação e da frequência dos nossos estudantes”, afirmou Patrícia.

Maria José Aguiar dos Reis Silva compartilhou as práticas de busca ativa que estão em execução na Coordenação Regional de Educação de Planaltina. Dentre elas, citou o levantamento e atualização, junto aos gestores, do endereço e contato de todos os estudantes; a entrega de atividades; visitas nas residências dos jovens, seguindo todos os protocolos de segurança; e parceria com a Secretaria de Comunicação; e parceria com rádios locais.

“O compromisso de garantir que cada criança e adolescente esteja na escola passa por um dever social, pela luta de uma sociedade engajada na equidade de forma coletiva. Os esforços empreendidos certamente voltarão em beneficio para todos”, finalizou Maria.

Em outro momento, Ramon Martins também dividiu com a rede as práticas eficientes de busca ativa desenvolvidas no Colégio Estadual Pedro Neca. Eles criaram o Dia do Resgate, em que os professores não colocam atividades na plataforma e ficam online para tirar dúvidas ou resolver as demandas trazidas pelos estudantes. Neste dia também, os professores realizam visitas nas residências daqueles que não conseguem acessar a plataforma. Além disso, eles possuem um serviço de call center executado por uma professora, no qual ela liga com frequência para todos os estudantes da escola. O diretor afirmou que, após a implementação da busca ativa na escola, a participação dos estudantes no ensino remoto aumentou de 50% para 95%.

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