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Busca ativa e acolhimento devem ser prioridades da gestão

02/02/2021 | Editado em 02/02/2021 10:17

Em sua participação em mesa-redonda promovida pela Associação Nacional de Educação Básica Híbrida (Anebhi) na última quinta (dia 28), o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, elencou aspectos que considera como os principais desafios de gestão no contexto da pandemia.

Um primeiro ponto destacado por ele foi a queda da arrecadação de estados e municípios, ao mesmo tempo em que há um aumento da demanda por conectividade nas escolas. “Coordenamos um estudo com o Todos pelo Educação no Instituto Unibanco, em 2020, que faz uma estimativa de que teremos uma perda nos estados de 13 a 40 bilhões de tributos que financiam a educação”, afirmou.

“Esse é o primeiro grande movimento de adequação da gestão que precisa ser feito. E isso solicita uma sintonia muito fina, com um alinhamento das secretarias com o Ministério da Fazenda, mas também com o MEC que até o momento segue ausente. Precisamos ter uma política mais estruturada entre Governo Federal, Estadual e Municipal”, salientou.

A necessidade de adequação das redes para cumprimento dos protocolos de saúde, garantindo um retorno seguro às aulas em regime híbrido, foi outro desafio mencionado pelo superintendente.

“Isso solicita uma prática de política educacional com visão intersetorial que temos usado pouco até hoje. E que exige confiança dos atores, que solicita segurança, comunicação forte, criação de reputação, interação com familiares e com os profissionais de educação. Além de entender quais são os grupos de risco, suas situações etárias e de comorbidades. É importante que isso se de dê forma consistente”, observou.

Um terceiro desafio, na visão de Ricardo Henriques, é a construção e implantação de uma estratégia de acolhimento mais detalhada e específica do que tivemos até hoje, voltada não só aos estudantes mas também aos professores e todo o corpo de profissionais de educação.

“Muitos passaram por traumas, perdas de parente, violências domésticas, vulnerabilidades materiais, perda de emprego, dado que o trabalho informal não acolhe tanto. Ou seja, trata-se de uma situação agravada que precisa de um acolhimento distinto. Além do efeito da longa suspensão das aulas presenciais que reestruturará as relações entre os estudantes e professores”, ponderou.

Por fim, ele destacou a importância de cada escola ter um diagnóstico preciso da situação de cada estudante. “Em cada situação, temos que ter avaliação diagnóstica, que permita ao professor não só identificar as modulações da aprendizagem, mas também os desafios emocionais, cognitivos e não cognitivos dos estudantes, que se configuram nessa retomada das aulas e que coloca os estudantes e profissionais em uma situação de vulnerabilidade que nunca tivemos antes”, pensa. Chamou atenção ainda para a intensidade crescente da desigualdade entre municípios e no interior das escolas e que devem ser alvo de intervenção por parte dos gestores.

“É necessário uma política de gestão, pensando na busca ativa e na capacidade de acolhimento. Do ponto de vista da política estruturada e pedagógica, que trabalhem com ensino híbrido e que identifiquem as condições necessárias de compensação do processo de perdas. E que não se atenha só a 2020 e 2021, mas que pensem esse período como um ciclo, porque a crise terá cauda longa”, concluiu.

Além do superintendente do Instituto Unibanco, a mesa-redonda sobre “Avaliação, gestão, legislação e habilidades socioemocionais”, promovida pela Anebhi, contou com a participação de Maria Inês Fini (Anebhi), Mozart Ramos (UFPE), Chico Soares (UFMG), Marialba Carneiro (Anebhi) e Emilio Munaro (Instituto Ayrton Senna).

Confira a mesa-redonda na íntegra:

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