TOPO

Desafios da gestão pedagógica é tema de webinário do Instituto Unibanco

10/08/2020 | Editado em 19/08/2020 16:38

Secretarias do Espírito Santo, Goiás e Ceará falaram a mais de 900 espectadores sobre as competências de gestão para garantir a aprendizagem dos estudantes durante e pós pandemia

 

O Instituto Unibanco realizou na última quarta-feira, 5 de agosto, o webinário Desafios das Gestão Pedagógica, segundo encontro do Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise. Para o debate, foram convidados Andréa Guzzo Pereira, subsecretária de Educação Básica e Profissional da Secretaria de Educação do Espírito Santo; Osvany Gundim, superintendente do Ensino Médio da Secretaria de Educação de Goiás; Rogers Mendes, secretário de Ensino Médio e Profissional da Secretaria de Educação do Ceará. Com mediação de Maria Julia Azevedo, gerente de implementação de projetos do Instituto Unibanco, o evento teve como debatedora Ednéia Gonçalves, coordenadora executiva adjunta da Ação Educativa e a abertura contou com comentário de Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco.

Ao iniciar o debate, Maria Julia Azevedo apresentou a proposta do evento, discutir os desafios trazidos pela pandemia de Covid-19 à gestão pedagógica, e explicou como a gestão pode reduzir as desigualdades educacionais neste momento, pensando na organização curricular, na avaliação de aprendizagem, no contexto de vulnerabilidade e acolhimento, nas possibilidades de liderança compartilhada, além dos recursos e metodologias pedagógicas. Na sequência, Ricardo Henriques ponderou que os desafios impostos à Educação pela pandemia estão no centro da gestão pedagógica.

“A expectativa é que a troca entre pares continue ocorrendo e que as reflexões se estendam ao dia a dia de todas as redes de ensino, pois precisamos visualizar o tamanho das desigualdades para atualizar e acelerar os métodos e abordagens pedagógicas”, comentou.

 

No Espírito Santo, a Secretaria de Educação teve como prioridade manter o vínculo dos estudantes com o processo educativo e, para isso, criou o “Programa EscoLAR”, que reúne Atividades Pedagógicas Não Presenciais (APNPs). O principal recurso utilizado pelo programa foi a transmissão de videoaulas por meio de canais de televisão e das redes sociais (Facebook, Youtube, WhatsApp), nos formatos ao vivo ou gravado, em dias e horários específicos, para turmas específicas. Segundo Andréa Guzzo, a etapa de monitoramento foi fundamental para incluir as APNPs na carga horária letiva.

“O monitoramento foi estratégico para a implementação do programa e para observarmos as lacunas existentes. Nesse sentido, o Circuito de Gestão nos ajudou muito a manter a continuidade do aprendizado com foco no acesso dos estudantes, tanto por meio impresso quanto online, além de registrar a frequência desses jovens, identificando aqueles que têm risco de abandono e orientando as escolas a fazerem uma busca ativa” explica Guzzo.

 

Para Osvany Gundim, da Secretaria de Educação de Goiás, a agilidade foi um aspecto importante na organização do regime especial de aulas não presenciais no estado já no mês de março.

“Precisamos compreender que a educação pública não é um jogo. Envolve muita dedicação, estudo, compromisso e seriedade. Não tem como fazer educação sem avaliar, planejar, fazer correção de rotas ou sem buscar todos os caminhos possíveis para garantir o ensino e aprendizagem de forma significativa aos nossos estudantes”, comenta.

Entre as ações realizadas, destaca o envio de conteúdos diários para todos os níveis de ensino, como textos, vídeos, listas de exercícios, desafios e, no caso do ensino médio, maratonas com questões no padrão ENEM disponibilizados no site “NetEscola”, portal de conteúdo direcionado a professores e alunos da rede pública, a fim de apoiar as pesquisas escolares e atividades educativas.

Já Rogers Mendes, da Secretaria de Educação do Ceará, apresentou as premissas políticas da educação pública, afirmando que ela cumpre sua função social quando rompe a relação de causalidade entre desigualdade socieconômica, de gênero e raça, além das diferenças de desempenho acadêmico. Para ele, o ensino remoto cria uma nova dinâmica de interação entre professores e estudantes, que não pode ser vista na mesma intensidade como era durante o período de aulas presenciais. Para vencer esse desafio, a secretaria fez adequações no currículo escolar e desenvolveu, para nortear as escolas, o Plano de Atividades Domiciliares (PAD).

“As escolas tiveram diretrizes para construir suas ações com autonomia. A partir do plano, as atividades poderiam ser consideradas letivas ao terem correspondência com a carga horária prevista”, descreve Mendes.

 

Elencando questões ao debate, Ednéia Gonçalves, da Ação Educativa, elucidou que o grande aprendizado deixado pela pandemia para todos os educadores é a extensão das desigualdades. “Qualquer proposta que se desenvolva, tendo como ponto de partida a homogeneização dos processos, é fadado a acirrar a desigualdade. E o passo seguinte ao acirramento é a exclusão escolar. É bom ver que, em todas as falas, há consciência sobre isso”, completou.

Ao finalizar o encontro, Maria Julia chamou atenção para os estudantes, sobretudo aqueles em situação de extrema vulnerabilidade, que têm vivenciado limitações durante a pandemia. E destacou a importância de ações concretas das secretarias para atenuar as desigualdades entre essa parcela que, além das questões raciais e socioeconômicas, terão que lidar com outras circunstâncias agravadas pela pandemia, como o luto. Como mensagem a extrair do debate, ela ressaltou que “a perspectiva da gestão pedagógica no enfrentamento dos desafios só existe porque todos os profissionais da educação (professores, diretores, coordenadores e técnicos) estão em presença com esperança”. E, fazendo um convite aos participantes e espectadores, informou que o próximo encontro será com os estudantes, a fim de conhecer suas perspectivas em meio aos desafios de estudar durante a pandemia.

A íntegra do webinário está disponível em https://bit.ly/2PPG6YQ

A apresentações estão disponíveis abaixo:

Desafios da Gestão Pedagógica _ Osvany da C. Gundim Cardoso

Desafios Gestao Pedagogica_ Andréa Guzzo Pereira

Desafios da Gestão Pedagógica _ Rogers Mendes

 

Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise

Desafios das Regionais de Ensino integra o Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise. Realizada em seis encontros, de 29 de julho a 2 de setembro, a iniciativa busca contribuir para a ampliação de repertórios sobre gestão em educação no contexto da COVID-19, além do debate de temas transversais, como o enfrentamento às desigualdades étnico-raciais. Os encontros, que contam com o apoio das Secretarias de Educação dos estados parceiros do Instituto Unibanco no programa Jovem de Futuro (Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte), serão transmitidos semanalmente pelo canal do Instituto Youtube, às quartas-feiras, a partir das 16h. Para conferir a programação, acesse https://bit.ly/2EPvVkM

Compartilhe esta notícia!