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Equidade racial na Educação é tema de webinário promovido pelo Instituto Unibanco

20/11/2020 | Editado em 20/11/2020 09:59

Em parceria com Geledés – Instituto da Mulher Negra, especialistas debatem os impactos da pandemia de Covid-19 no agravamento das desigualdades raciais na educação pública

 O Instituto Unibanco realizou, no dia 18 de novembro, o webinário “Pandemia e equidade racial na educação”, em parceria com a organização Geledés – Instituto da Mulher Negra.  O evento debateu as marcas das desigualdades sociais e raciais na educação pública e como elas foram acentuadas durante a crise gerada pela pandemia em 2020.  Para discutir o tema, foram convidados Suelaine Carneiro, vice-presidenta da organização Geledés; Marcos Cesar da Costa, diretor da Escola Estadual Maestro Brenno Rossi, da Zona Leste de São Paulo; Renata Francisco, doutora em História e professora da rede estadual de ensino na Zona Sul de São Paulo; Brenda Vieira, estudante de Ensino Médio e integrante do Núcleo Educação Liberta-Uneafro, de Itaquaquecetuba (SP), e Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo e membro do Centro de Pesquisa Transdisciplinar em Educação (CPTE), do Instituto Unibanco. Com transmissão ao vivo pelo YouTube e tradução em libras, o encontro foi mediado por Tiago Borba, gerente de planejamento e articulação institucional do Instituto.

Na fala de abertura, Ricardo Henriques reforçou a importância de a gestão escolar e as políticas públicas em educação reconhecerem, em suas práticas, o racismo estrutural que atravessa a sociedade brasileira.

“É necessário enfrentarmos nosso racismo estrutural. É evidente, em termos de políticas e ações afirmativas, que se reconheça o racismo e que haja indicações de caminhos concretos para o enfretamento dele na educação pública no Brasil”, afirmou Ricardo.

Na sequência, Suelaine Carneiro mencionou a relevância da parceria firmada entre o Instituto Unibanco e o Geledés para o fortalecimento de práticas educacionais que combatam o racismo e as desigualdades raciais nas escolas.

“Estudantes negros e negras devem ser incorporados nos projetos de futuro da nossa nação, mas para isso precisamos pensar o hoje. Mudanças são necessárias agora, para que possamos construir novos caminhos e oportunidades para a juventude negra”, ponderou Carneiro.

O mediador Tiago Borba, por sua vez, apresentou uma análise de dados elaborada pelo Instituto Unibanco com base da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada no 2º trimestre de 2020. Segundo o levantamento, ao considerar o mercado formal de trabalho, os homens brancos são os que recebem os melhores salários, enquanto as mulheres negras, os menores. Um dos maiores efeitos da pandemia é o desemprego. Entretanto, as mulheres negras formam o grupo mais afetado, com uma taxa de desocupação de 18,2%.  Já entre os homens brancos, a taxa é de 9,6%.

“Se as famílias de jovens negros e negras estão com acentuadas quedas de renda por conta da pandemia, como elas poderão se reestruturar e gerar condições para que seus filhos não abandonem a escola e passem pelo processo de aprendizado com a mesma qualidade que outros estudantes?”, questionou Tiago.

Marcos Cesar da Costa, diretor da Escola Estadual Maestro Brenno Rossi, na Zona Leste de São Paulo, compartilhou sua experiência durante a crise gerada pela pandemia na escola em que dirige. Inicialmente, as medidas para as aulas não presenciais foram focadas na conectividade dos estudantes, sobretudo para jovens negros e mais periféricos. Apesar disso, apenas cerca de 30% dos alunos estavam acessando o conteúdo de ensino remoto nos primeiros meses da pandemia. Após a direção identificar esse percentual, foram implementadas medidas de busca ativa, a fim de estreitar a relação dos professores com os jovens e suas famílias.

Nesse sentido das medidas emergenciais para apoio ao ensino remoto, Renata Francisca, doutora em História e professora em quatro escolas da rede estadual de ensino na Zona Sul de São Paulo, destacou que cada escola apresentou diferentes condições de trabalho, bem como diferentes necessidades trazidas pelos estudantes e pelas comunidades locais. Para ela, esse é um indício da importância de políticas públicas para cada instituição. “A gente tende sempre a trazer esse debate sobre desigualdade comparando as escolas particulares com as públicas. Mas a minha experiência em diferentes escolas me faz pensar que, dentro da mesma rede, temos uma hierarquia entre as escolas. Por exemplo, uma escola do centro atende um público totalmente diferente de uma escola da periferia”, destacou a professora.

A estudante Brenda Vieira, de 17 anos, descreveu que tem a oportunidade de acessar à internet e tem uma casa confortável para estudar, mas que essa é uma realidade muito diferente se comparada à dos outros jovens de sua escola. Brenda destacou que sente dificuldade em manter o mesmo ritmo e dedicação aos estudos que tinha durante as aulas presenciais, principalmente porque precisa ajudar nas tarefas domésticas e nos cuidados da irmã mais nova, uma vez que os pais já voltaram ao trabalho presencial.

Por fim, Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento e membro do Centro de Pesquisa Transdisciplinar em Educação (CPTE), apontou que mesmo com os avanços na educação pública, o Brasil ainda apresenta sérios problemas. Para ele, os mais graves são: a falta de recursos; a falta de um sistema único de Educação, que permita medidas efetivas em todo o território brasileiro; além da desigualdade reproduzida pelo sistema educacional. “A desigualdade racial e o racismo estrutural são reproduzidos dentro da escola e são transformados em desigualdade racial. Quanto mais escura a cor da pele, menor o sucesso escolar do estudante”, pontuou Alexsandro.

Para assistir ao webinário “Pandemia e equidade racial na educação, acesse https://youtu.be/u7m32mY6OpA

 

 

 

 

 

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