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Escola de MG aposta em acolhimento e protagonismo para melhorar a aprendizagem e reduzir a evasão

10/11/2022 | Editado em 10/11/2022 17:16

Participação estudantil, incentivos culturais e esporte são pontos de destaque na E.E. José Álvares Duarte, em Santa Bárbara (MG)

Campanha do Setembro Amarelo: Acolhimento à comunidade escolar (Foto: EE José Álvares Duarte/divulgação)

“Temos que promover uma ligação afetiva e tornar a escola mais atraente. A educação passa pela relação direta e harmoniosa entre professores, alunos, pais, responsáveis e toda a comunidade”. É o que pensa o gestor Denilson de Souza, 53, há três anos na direção da Escola Estadual José Álvares Duarte, em Santa Bárbara (MG). Parceira do programa Jovem de Futuro desde 2020, a unidade atende 200 estudantes, divididos em Ensino Fundamental 2 de tempo regular, Ensino Médio Tempo Integral (EMTI, na 1ª e 2ª séries – a 3ª série começa em 2023), Ensino Médio regular (3ª série, à tarde) e Educação de Jovens e Adultos (EJA, na 2ª e 3ªséries), à noite.

Formado em Matemática, Física, Desenho Geométrico e Engenharia Civil, o diretor, que começou a lecionar aos 20 anos, em Betim (MG), conta que a retomada das aulas presenciais em 2022 teve papel fundamental para iniciar o processo de recomposição das aprendizagens e, principalmente, recuperar o vínculo dos estudantes com a escola. A experiência de 10 anos na gestão escolar o ajudou na “construção das relações humanas para promover uma rotina de mais qualidade à comunidade.”

O desafio foi lidar com um cenário difícil, onde os estudantes apresentavam questões psicológicas de diversas ordens e diferentes níveis de aprendizagem, principalmente em Língua Portuguesa e Matemática, e atuar para reduzir os índices de evasão e abandono.

“Priorizamos essa relação mais próxima. Nossa escola é pequena e conseguimos formar turmas com até 20 estudantes por sala. O jovem não está acostumado com a ausência de contato. Foram dois anos de salas trancadas. Alguns estudantes saíram no 6° voltaram no 8° ano, por exemplo”, comenta.

Após investir em pequenas reformas de manutenção estruturais, como a pintura da quadra, na reorganização de espaços e na aquisição de equipamentos de informática, a direção apostou em um planejamento pedagógico baseado nas evidências obtidas nas avaliações diagnósticas.

“Depois disso, fizemos um direcionamento, mas cada professor teve liberdade para definir o melhor formato de trabalhar, como rodas de conversa, análise comportamental, leituras de textos e questões objetivas, sempre com o apoio dos materiais pedagógicos do Estado”, lembra Denilson.

“Paredes educadoras”

A partir daí, surgiram novos projetos, inclusive com a participação direta e ativa das lideranças de cada série do Ensino Médio. Um deles é o “Paredes Educadoras”, que fortalece o aprendizado por meio do contato visual. A direção produziu 25 banners de lona, que ficam espalhados pela unidade apresentando conteúdos variados. “São mensagens e textos curtos. Uns sobre componentes curriculares, como operações básicas de Matemática e fórmulas químicas como a da água, outros com curiosidades, informações sobre convivência social, alimentação, bem-estar, higiene, tecnologia, datas comemorativas e inglês. Todos os componentes curriculares são contemplados. Dizem por aí que as paredes têm ouvidos. Então, que elas também possam ensinar”, conta o gestor. O prédio é coabitado por uma escola de Ensino Fundamental municipal, que também utiliza os banners para atividades pedagógicas.

Inglês é um dos temas abordados nas “Paredes Educadoras” (Foto: EE José Álvares Duarte/divulgação)

Apoio ao projeto de vida, literatura, atividades lúdicas e esporte

Neste ano, as aulas de disciplinas eletivas têm abordado questões de vestibular e do mundo do trabalho. Por outro lado, em Linguagens, as redações são direcionadas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Atividades extracurriculares fora de sala de aula também são planejadas para estimular a leitura e proporcionar novas experiências culturais.

Recentemente, os estudantes visitaram a Bienal Mineira do Livro, em Belo Horizonte. Cada jovem pode escolher e receber um livro. Outro ponto de parada foi nos “Caminhos Drummondianos”, em Itabira. Na terra do escritorCarlos Drummond de Andrade, os jovens vivenciaram a poesia do autor, obras e locais históricos, como o Circuito do Ouro e a Estrada Real. O plano é oferecer até três passeios por semestre.

A integração com a comunidade escolar é fortalecida em todo final de bimestre. “Na ‘Partilha’, cada estudante leva o prato que mais gosta, e as escolas – a nossa e uma unidade da rede municipal – se reúnem para celebrar e dividir”, explica Denilson. Ainda tem o projeto Horta na Escola, Oficinas de Arte, Halloween e, desde 2019, a Gincana das Cores, competição que divide a escola em dois grandes grupos para diversas atividades pedagógicas. A próxima edição está marcada para novembro.

No “Minha turma é nota 10”, estudantes e professores avaliam as aulas diariamente com um emoji. São considerados conteúdo, participação, atenção, respeito etc. Ao final do bimestre, as duas turmas que tiverem as melhores notas são premiadas com livros, brindes e outras lembranças. Outro exemplo é o projeto Setembro Amarelo, iniciativa dos estudantes que tem como objetivo disseminar informações sobre saúde mental (é isso?) e tem gerado alguns frutos, como a parceria com o posto de saúde do distrito de Barra Feliz, onde são realizadas palestras.

Por fim, a reforma da quadra fortaleceu ainda mais a cultura esportiva como ferramenta pedagógica. O vôlei está presente no DNA da escola. Além da interação, a prática contribui para estimular disciplina, respeito e saúde – física e mental.

As aulas acontecem no período do intervalo do almoço, entre 11h30 e 13h, e das 17h30 às 18h, após o horário das aulas. E a modalidade tem colhido ótimos resultados. Nas quadras, a escola se sagrou campeã da última edição dos Jogos Estudantis da cidade, no masculino e no feminino, e vai representar a cidade nos Jogos Estudantis Estadual no ano que vem. Durante o ano ainda ocorrem o famoso “Interclasses”, com disputas entre as séries nas modalidades vôlei e queimada. Nos mesmos horários, os estudantes também podem participar de grupos de leitura e cuidar do projeto de horta.

Além atuação profissional como gestor escolar, Denilson se arrisca nas palavras e no tatame. Ele é escritor de obras espíritas e faixa preta de taekwondo. Uma de suas obras, “Há luz na escuridão”, publicada em 2012 pela Editora Chico Xavier, vendeu 20 mil cópias.

“São dois hobbies que me inspiram, me trazem calma e refletem na minha rotina profissional e pessoal”, encerra.

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