TOPO

Estudo aborda impacto fiscal da Covid-19 na educação brasileira

03/06/2020 | Editado em 04/06/2020 22:02 compartilhar

Já está disponível o estudo Covid-19: Impacto Fiscal na Educação Básica – O cenário de receitas e despesas nas redes de educação em 2020, o primeiro de uma série que analisa os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na Educação Básica. Produzido pelo Instituto Unibanco em parceria com o Todos Pela Educação, o material pretende qualificar o debate na sociedade e apoiar a formulação de ações para mitigar um possível colapso financeiro na educação básica.

Baseado em dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o relatório estima que o conjunto das redes estaduais deve perder entre R$ 9 e R$ 28 bilhões em receitas tributárias vinculadas à manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE) neste ano, a depender do cenário de crise econômica. Paralelamente, traz um levantamento com 22 redes estaduais de ensino que identificou que 95% destas Unidades da Federação adotaram entre 5 e 15 soluções para o enfrentamento das consequências da pandemia, gerando um custo adicional que deve alcançar R$ 2 bilhões em quatro meses. São, sobretudo, gastos com implementação de ensino remoto e com oferta de alimentação aos alunos durante a suspensão das aulas presenciais. Os próximos estudos considerarão também a situação dos municípios e os gastos adicionais com a reposição das aulas presenciais, que devem ser consideráveis.

“Apoiar a elaboração de políticas capazes de remediar o impacto fiscal da pandemia na educação é imprescindível para garantir condições de aprendizagem dos estudantes, durante e após a crise. Também é fundamental que, além de rápidas e assertivas, todas as decisões sejam sempre baseadas em evidências. Uma boa gestão orçamentária, nesse sentido, pode ser chave para apoiar as Secretarias Estaduais”, explica Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco.

Na educação básica, os recursos orçamentários das redes de ensino são provenientes de impostos e transferências vinculados à Educação, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o Fundo de Participação dos Estados (FPE), o Imposto sobre Serviços (ISS) e o Salário-Educação. Com a queda da atividade econômica, e por consequência, da arrecadação tributária, as redes de ensino de todo o país têm de lidar com menos recursos protegidos para aplicação em despesas educacionais.

Saiba mais sobre o financiamento da educação neste infográfico.

“Considerando apenas os governos estaduais, estamos diante de uma potencial carência de R$ 30 bilhões na Educação Básica. Esse número deve ser ainda maior com os gastos adicionais relacionados à retomada das aulas presenciais. Para evitar um colapso das redes públicas de ensino, o Legislativo e o Executivo precisam atuar para garantir a recomposição desse orçamento junto às medidas de socorro fiscal aos entes federados, evitar contingenciamento do orçamento do MEC, e aprovar urgentemente o Fundeb”, afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação.

Além da previsão de queda nas receitas disponíveis para a Educação para os próximos meses, as despesas educacionais continuarão crescendo, com necessidade de novos investimentos para promover atividades pedagógicas, como a contratação de ferramentas para o ensino remoto e a formação de professores. A folha de pagamento com colaboradores ativos nos estados é de pelo menos 60% do total das despesas correntes, podendo chegar a mais de 80% em alguns casos, segundo um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e Instituto Unibanco em 2018 – são gastos fixos que terão que ser mantidos, pois são obrigatórios ou de difícil remanejamento.

“Estamos vivendo uma crise sem precedentes. Assim como mostra a história de diversos países que passaram por profundas crises, garantir um sistema educacional é a base para a reconstrução de uma nação e para nos fortalecer para um futuro de novos desafios”, comenta Priscila.

“A pandemia escancarou as desigualdades educacionais já existentes. Na retomada das atividades presenciais, é fundamental que as redes de ensino estejam preparadas para acolher estudantes e desenvolver atividades a fim de reduzir as desigualdades criadas no período. Será necessário adequar o sistema de ensino aos traumas derivados dessa crise, tanto pela suspensão das aulas, quanto pelas implicações de saúde e vidas”, finaliza Henriques.

Clique aqui para acessar a íntegra do estudo Covid-19: Impacto Fiscal na Educação Básica – O cenário de receitas e despesas nas redes de educação em 2020.

Compartilhe esta notícia!