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Gestores debatem os desafios do ensino híbrido em webinário realizado pelo Instituto Unibanco

21/08/2020 | Editado em 21/08/2020 14:42

Secretarias do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Norte falaram a mais de mil espectadores sobre a readequação do ensino em meio à crise de Covid-19

 O Instituto Unibanco realizou no dia 19 de agosto, às 16h, o webinário Desafios do Ensino Híbrido. Para o debate, foram convidadas Carmem Prata, assessora de tecnologia educacional da Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo; Geniana Guimarães, subsecretária de desenvolvimento da Educação Básica da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais; e Marcia Gurgel, secretária-adjunta da Secretaria de Estado da Educação e Cultura do Rio Grande do Norte. Com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube, o evento foi mediado por Maria Julia Azevedo, gerente de implementação de projetos do Instituto, com comentários de Cesar Nunes, gerente de desenvolvimento de soluções da organização.

 

Ao iniciar a conversa, Maria Júlia frisou que as restrições que o isolamento social impôs à Educação por causa da pandemia ultrapassam o tempo esperado e direcionam para a necessidade de alternância entre aulas na modalidade presencial e não presencial. Nesse sentido, o ensino híbrido passa a ser um tema conveniente ao cenário que, assim como webinário propôs, cabe ser discutido sob a perspectiva de cinco componentes importantes: desigualdade; tecnologia disponível; preparo e profissionalização docente; ajuste do calendário escolar e acompanhamento das ações.

Para Carmen Prata, da secretaria do Espírito Santo, a implementação da cultura digital, iniciada há três anos, foi um ponto positivo no estado, pois muitos professores já estavam familiarizados com ferramentas online. A profissional reconheceu que essa estrutura remota pode contribuir para o avanço do ensino híbrido, contudo, destacou que o maior impasse no momento é fazer com que os alunos realmente acessem os conteúdos das aulas:

“o principal desafio é fazer com que os estudantes se engajem em um cenário em que nem todos têm condições propícias para estudar em casa”.

Para vencer a desigualdade de conectividade, Carmen conta que foi necessário patrocinar pacote de dados para aqueles estudantes que tinham aparelhos, mas que não tinham conexão; disponibilizar mais de uma opção de canais de TV para os que tinham sinal televisivo prejudicado; e distribuir conteúdos impressos para aqueles que não dispunham de nenhuma tecnologia digital.

“A partir disso, ficou muito claro que ensino híbrido sem estrutura não dá certo. Ele induz ao conteúdo, mas é fundamental haver interatividade e comunicação, seja qual for o meio, digital ou impresso”, reforçou.

Geniana Guimarães, de Minas Gerais, pontuou que a modalidade exige a reorganização do processo como é hoje e destacou a importância de uma readequação curricular com cuidado para não provocar rupturas no processo de aprendizagem. Segundo ela, essa metodologia precisa permitir aos professores formação e preparo para que o ensino híbrido não se limite a uma justaposição entre ensino presencial e à distância. Durante a pandemia, a secretaria desenvolveu o Plano de Estudo Tutorado (PET), ofertado aos alunos da rede pública como alternativa para a continuidade no processo de ensino e aprendizagem. O material reúne os conteúdos da série que o estudante está cursando e apresenta orientações aos pais e responsáveis de modo a incluí-los no processo de estudos. Para Geniana, o grande desafio neste momento é a evasão escolar:

“a pandemia está durando muito mais tempo do que nós imaginávamos e temos trabalhado no processo de monitoramento, fazendo um raio-X da rede, para adequarmos os formatos oferecidos e continuarmos a garantir a aprendizagem”.

Já Marcia Gurgel, da secretaria do Rio Grande do Norte, falou sobre a importância da proximidade entre professores e estudantes. Para ela, pensar o ensino hibrido é pensar também na aprendizagem híbrida, em que as relações tenham continuidade e os direitos dos estudantes sejam respeitados. No ensino médio, por exemplo, as relações são mais sensíveis, pois muitos alunos precisam trabalhar.

“Isso pode impactar negativamente a participação desses jovens, o que torna a ação docente fundamental para o estabelecimento de vínculos.  Precisamos de mais políticas de informação e comunicação ao considerar toda a diversidade, além de tomar cuidado para não banalizar as formas de ensino presencial. Temos que usar abordagens científicas e com cuidado para que essa adequação não se torne uma transposição de ensino não presencial sobre ensino presencial”, completa.

Como provocação ao debate, César Nunes, gerente de desenvolvimento de soluções do Instituto, questionou às participantes como é possível enfrentar não só as desigualdades entre alunos, em um futuro ensino híbrido, mas também aquelas existentes entre professores durante seu exercício de mediação.

“É difícil para quem não trabalhava com o uso de tecnologias embarcar nesse processo agora. Mas é muito difícil para os que não tinham a prática de metodologias mais ativas desenvolverem esse formato, realizando, por exemplo, o monitoramento da presença e ausência desses estudantes nas aulas”, ponderou.

No encerramento, Maria Júlia, gerente de implementação de projetos do Instituto, traçou um paralelo entre as questões do debate e a equação pedagógica, proposta pela educadora equatoriana Rosa Maria Torres, que muito se relaciona ao tema do ensino híbrido. “Essa autora revela que a equação pedagógica é uma combinação de sujeitos, objetos de conhecimento, tempos, espaços e métodos. E a dimensão da aprendizagem só acontece com essa combinação, tão necessária quando debatemos ensino híbrido”, finalizou.

A íntegra do webinário está disponível em https://youtu.be/VUFcAT5SU5E

 

Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise

Desafios de estudar na pandemia integra o Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise. Realizada em seis encontros, de 29 de julho a 9 de setembro, a iniciativa busca contribuir para a ampliação de repertórios sobre gestão em educação no contexto da COVID-19, além do debate de temas transversais, como o enfrentamento às desigualdades étnico-raciais. Os encontros, que contam com o apoio das Secretarias de Educação dos estados parceiros do Instituto Unibanco no programa Jovem de Futuro (Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte), são transmitidos semanalmente pelo canal do Instituto Youtube, às quartas-feiras, a partir das 16h. Para conferir a programação, acesse https://bit.ly/2EPvVkM

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