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Histórias do Jovem de Futuro: construindo uma escola democrática

08/07/2021 | Editado em 08/07/2021 16:15

Educação Pública de qualidade é um direito básico de todas as crianças, adolescentes e jovens. Para que esse direito seja garantido, muitas pessoas se dedicam, estudam, pesquisam e lutam diariamente. É uma engrenagem que, para rodar, precisa envolver o poder público, gestores, educadores, estudantes, seus familiares e organizações da sociedade civil.

Ao debatermos Educação, é muito comum ouvirmos expressões como “o profissional da ponta do processo”, “quem está dentro da escola que sabe”, “na prática, a história é outra”.  E, de fato, precisamos ouvir e conhecer de perto as pessoas que constroem as escolas no seu dia a dia.

Como as diferentes experiências de educadores das mais diversas realidades brasileiras podem contribuir na melhoria do processo de aprendizagem? Como o conhecimento adquirido em anos dentro das escolas pode acrescentar para melhoria da Educação? O que a prática nos ensina?

O Instituto Unibanco acredita na potência do trabalho e das ideias que cada educador tem. E, por meio do programa Jovem de Futuro, fomenta a troca de vivências e ações entre gestores; por isso criamos a série Histórias do Jovem de Futuro, que traz um pouco da experiência dos profissionais de educação das escolas parceiras.

Na estreia, convidamos você a conhecer Ângela Soares, gestora da Escola Monsenhor Domingos, em Divinópolis (MG), e Cátia Couto, especialista de educação básica, com atuação na mesma escola.

Ângela Soares – Diretora

Natural de Divinópolis, Ângela fala com orgulho sobre sua formação ter sido toda através da rede pública, do ensino infantil ao ensino médio. E, por meio do Programa Universidade para todos (PROUNI), graduou-se em Educação Física. Ao longo de sua carreira como professora, por muitos anos atuou na Educação Especial (ensino voltado para pessoas com deficiências físicas, auditivas, visuais, intelectuais e múltiplas, transtornos do desenvolvimento, altas habilidades e superdotação) e em escolas de tempo integral, onde podia trabalhar com oficinas e formatos de aulas não tradicionais. Essa experiência de vivenciar a escola em tempo integral e de forma muito próximas às famílias dos jovens, lhe trouxe a visão da necessidade da atenção total ao estudante e à sua realidade para alcançar bons resultados durante a passagem pela escola.

Anos depois, Ângela passou trabalhar como professora de Ensino Médio, tendo 50 minutos semanais de aula com suas turmas. Foi aí que ela começou a sentir falta de poder estar mais perto dos estudantes e de atuar de forma mais ampla na formação deles.

“No Ensino Médio, a gente tinha uma relação muito mais fria com os alunos, restrita aos 50 minutos de aula. E foi gritante para mim a necessidade mudar isso. E isso que me despertou a vontade de ser diretora daquela escola”, afirmou.

Em 2016, foi eleita e assumiu a direção, com a meta de conseguir estreitar a relação da escola com as famílias e a comunidade durante a gestão.

A gestora também queria construir com estudantes e professores uma visão mais ampla sobre a valorização das diversas áreas do conhecimento, não deixando o foco de aprendizagem apenas para disciplinas mais tradicionais, como matemática e português.

“Infelizmente, nós, professores, temos que lidar com muitas adversidades e isso nos impõe a necessidade de priorizar algumas coisas dentre outras. A minha experiência como professora de Educação Física me forçou a aprender a mobilizar e estimular muito a participação na minha disciplina. Os pilares da criatividade, proatividade e dinamismo da Educação Física são muito importantes para ajudar no meu trabalho de gestora, porque dentro da escola precisamos mobilizar outras competências para além do conteúdo. E eu sempre brinco com os professores de matemática que os estudantes têm a calculadora para resolver as contas, mas o que a matemática pode ensinar para além disso? Acredito que temos que ensinar o jovem a ser. Ser o que eles são dentro de suas habilidades e aptidões”, destacou.

Durante a gestão, ela tenta ao máximo trazer os estudantes para dentro das decisões, através do Grêmio Estudantil e dos representantes de turma. Ela acredita que escola não é só construída a partir das ideias e vontade dos gestores e dos professores: a escola é dos jovens também. Destaca que muitas vezes é preciso usar de autoridade para resolver conflitos do dia a dia, mas o que a motiva é poder ouvir e ter uma relação de harmonia e respeito com os alunos. Um hábito que, segundo ela, ajudou muito a construir uma boa relação com a escola foi passar a frequentar e se mostrar como parte daquela comunidade.

“Eu tento fazer com que eles percebam que o diretor não está na escola só para impor. E é preciso criar um espaço aberto para que me procurem e se sintam parte do processo. Dentro da escola, temos que garantir que todos tenham as mesmas oportunidades, é isso que conduz meu trabalho”, afirmou.

Para a diretora, o programa Jovem de Futuro possibilitou um melhor planejamento escolar, com base em evidências.

“Quando você coloca no papel os dados e números, você visualiza com mais clareza o que precisa ser feito. E, lá na frente, o resultado vem. Esse trabalho baseado em dados não deve ser apenas política de governo, e sim de estado. Não podemos perder isso com as trocas de governantes”, concluiu.

Cátia Couto – Especialista de Educação Básica

Cátia, especialista de Educação Básica de Minas Gerais, conheceu a gestora Ângela e a Escola Monsenhor Domingues em 2019, com o início da parceria entre Instituto Unibanco e Secretaria de Estado de Educação de Minas gerais (SEE/MG) por meio do Jovem de Futuro. Pedagoga de formação, Cátia trabalhou por anos como professora de Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental. O sonho de ser pedagoga, segundo ela, surgiu ao perceber que nessa área poderia atuar amplamente na formação dos estudantes, não focando em apenas uma disciplina.

Em 2007, assumiu a função de Especialista de Educação Básica do estado de Minas Gerais, o que permitiu que trabalhasse em parceria com diversas escolas, cada uma com suas particularidades e necessidades. E, no papel de especialista de educação básica, tem como objetivo ajudar as equipes das escolas a buscarem soluções para os problemas.

“Como especialistas, precisamos intermediar os conflitos, chegar a um ponto comum entre professores, gestores e estudantes”, explicou.

Ao longo de todos esses anos dentro de escolas, a força da juventude é o que move o seu trabalho. Para ela, os jovens têm uma energia que se destaca. E cabe aos educadores descobrir quais as suas habilidades e motivações para oferecer-lhes oportunidades.

“Às vezes, o jovem não gosta de certas disciplinas, mas ama teatro. Cabe a nós ajudá-lo a se encontrar”, pontuou.

Sobre a gestão, Cátia destaca a importância da mobilização de toda a comunidade escolar.

“A gente precisa criar cada vez mais uma escola com gestão democrática. O diretor não pode impor nada aos professores, nem aos estudantes. Precisamos gerar um sentimento de pertencimento em toda a comunidade, de que eles também podem promover a mudança dentro da escola. E isso deve ser estimulado sempre”.

Em relação ao programa Jovem de Futuro, a pedagoga relata que a experiência tem trazido bons resultados.

“A gente precisa entender que as escolas públicas formam uma só rede e que essa rede precisa avançar junto.  A partir do momento que o Jovem de Futuro proporcionou esse espaço, temos conseguido trocar práticas pedagógicas periodicamente e isso é muito enriquecedor”, concluiu.

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