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Inclusão em MG: Escola parceira do Jovem de Futuro apoia o desenvolvimento de estudantes com deficiência

11/10/2022 | Editado em 11/10/2022 18:18

Acolhimento, promoção da diversidade, socialização e interação. Estar presente em sala de aula envolve muitos aprendizados. Mas para que a escola efetivamente garanta o acesso à educação, é preciso eliminar  obstáculos e preconceitos que possam limitar esse direito. Esse tem sido um esforço constante da gestão e do corpo docente da Escola Estadual Adalgisa de Paula Duque, de Lima Duarte (MG), que atende a 750 estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Com pouco mais de 16 mil habitantes, localizada na Zona da Mata e na região de Juiz de Fora, a pequena cidade, reconhecida pela produção de leite, conta com uma comunidade escolar ativa, que é liderada por profissionais que possuem forte ligação com a escola, já que 90% dos atuais professores também estudaram na unidade, como explica o professor de Geografia e diretor da unidade, Paulo Afonso Veira. “Estudei aqui por sete anos, nos Anos Finais e no antigo Magistério. Comecei em 1988 e permaneço até hoje. Lecionei até 1995, e depois me mantive na gestão. São 22 anos como diretor, seis como vice-diretor e 34 no total. Me aposento em 2023”, resume.

Parceira na implementação do Programa Jovem de Futuro, a E.E. Adalgisa de Paula Duque tem se destacado pela promoção da educação inclusiva, ou seja, oferecendo o apoio necessário a estudantes com deficiências, transtornos do espectro autista, altas habilidades e superdotação. Um dos principais responsáveis por este trabalho, o diretor Paulo conta que essa relação foi estreitada em 2016, quando ele teve a oportunidade de cursar um mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública na Universidade Federal de Juiz de Fora.

Apadu-Incluir: Trabalho integrado para atender às necessidades

Dois anos depois, já na reta final do curso, Paulo escolheu o tema para a dissertação final. “A escola já tinha um trabalho inclusivo, e uma das orientadoras me encorajou a divulgar. Fui aprovado. Era o momento ideal para colocar todos esses aprendizados em prática e avançar. Nosso foco era estudarmos, juntos, novas formas de incluir os estudantes com deficiência, com professores de apoio, melhor utilização da sala de recurso, e encontros mensais formativos com a pauta”. Então, no final de 2018, nascia o projeto Apadu-Incluir.

Ele conta que, hoje, são atendidos 30 estudantes com deficiência comprovada em laudo. Eram 18 no ano passado. Dos atuais, 10 contam com professores de Apoio Educacional Especializado (AEE) em sala de aula, que atuam junto ao professor regente para apoiar esses estudantes. “Algumas deficiências são mais desafiadoras e exigem ainda mais preparo e tato, como paralisia cerebral, que reduz a capacidade intelectual de aprendizagem. É um procedimento difícil. Nos reunimos muito para conversar. Temos contato direto com as famílias e contamos com uma grande rede de apoio do serviço público, como assistência social e amparo médico, via CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), por exemplo. Ou seja, um trabalho integrado, porque a escola sozinha não dá conta de cuidar de todas as necessidades”, emenda.

Sala de Recursos oferece atividades focadas nos aspectos cognitivo e motor (foto: acervo EE Adalgisa de Paula Duque)

A escola conta com duas Salas de Recursos Multifuncionais, com duas professoras de AEE – uma pela manhã e outra em período integral -, que, além da abordagem pedagógica, também realizada a coordenação do trabalho inclusivo escolar. “A família e a escola devem agir em conjunto para garantir o pleno desenvolvimento dos nossos estudantes. Depois de seis anos na Educação Inclusiva, posso afirmar que esse relacionamento exerce um papel importante na formação de valores éticos, morais e culturais”, conta Priscila de Almeida, 40, que atua na escola desde 2021.

“Muitas vezes, notamos que a necessidade especial não é aparente. Portanto, é possível que esses estudantes passem pela escola sem qualquer apoio, e este é um prejuízo irrecuperável. É preciso acolher com atenção, cuidado e carinho, de forma integral e integrada”, indica Paulo.

O atendimento ocorre de forma individual, em dupla ou trio, sempre no contraturno, duas horas por semana. A infraestrutura conta com jogos manuais, para fortalecer a coordenação motora, e virtuais, por meio de dois notebooks. Também são realizadas atividades em outros espaços, como jogos na sala de informática, brincadeiras ao ar livre no pátio, com tatames, e caminhadas para atender aos jovens com mobilidade reduzida. “São atividades diferenciadas, que contam com materiais didáticos e acessíveis que estimulam a leitura, pintura, artesanato”, detalha Elisângela Aparecida, 37, que vivencia a rotina da unidade há quatro anos.

Sala de Recursos: As professoras Priscila (à esquerda) e Elisângela atuam para o desenvolvimento integral estudantil (foto: acervo EE Adalgisa de Paula Duque)

Tema no rádio e atividades extracurriculares

Desde então, o trabalho tem gerado frutos. Um deles foi a criação do programa “Zona livre para incluir”, veiculado na rádio comunitária Serrana 87.9 FM, todos os sábados, das 16h às 18h (https://www.radios.com.br/aovivo/radio-serrana-879-fm/15948). “Eu apresento e falo sobre educação e inclusão, com a participação de convidados especiais”, celebra o diretor. “Certo dia, um pai, ouvinte, percebeu que o filho era autista depois de ouvir o nosso programa. Localizamos essa família e pudemos apoiá-los e ajudá-los”, revela.

Atração vai ao ar na rádio comunitária Serrana 87.9 FM, aos sábados

A direção da escola tem se preocupado em fazer da promoção da convivência uma rotina, por meio de uma programação focada na inclusão e saúde mental. É o que tem acontecido durante todo o ano letivo, com um calendário variado, como a Gincana Esportiva e Cultural da Adalgisa (Geca), noites no camping, cursos de agroecologia, passeios em viveiros, palestras com psicólogos, programação do setembro amarelo – com foco em transtornos mentais e prevenção ao suicídio -, visitas a universidades da região, entre outros eventos.

Toda o trabalho pedagógico escolar, sobretudo no Ensino Médio, tem sido pautado, amparado e otimizado através do Programa Jovem de Futuro, como explica o diretor. “A grande sacada do Jovem de Futuro é garantir os registros. Por meio do sistema, conseguimos otimizar o trabalho pedagógico. Isso é muito positivo. Além disso, a programação de capacitação exerce papel fundamental. Essa obrigação do contato com a equipe gestora ajuda a descentralizar a gestão. Além do mais, começamos a definir os principais objetivos e ações. A inclusão é uma delas”, finaliza.

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