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Instituto Unibanco debate a implementação de programas educacionais e o histórico de aprimoramento do Programa Jovem de Futuro

02/10/2020 | Editado em 02/10/2020 16:00

A mais de 3500 espectadores, especialistas reforçaram a importância de políticas focadas em gestão para o aperfeiçoamento da rede pública de ensino

 O Instituto Unibanco realizou, no dia 30 de setembro o webinário Implementação de Programas Educacionais: a experiência do Jovem de Futuro. Participaram do encontro o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques; Gabriela Lotta, Professora de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e Rogers Vasconcelos Mendes, Secretário Executivo de Ensino Médio e Profissional da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc-CE). A mediação foi de Alexsandro Santos, Diretor Presidente da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo.

Na abertura do evento, foi apresentado o vídeo “De projeto piloto a política pública: as gerações do programa Jovem de Futuro”, com a trajetória de 12 anos do programa. Na primeira parte de sua apresentação, Ricardo Henriques trouxe a perspectiva de trabalho e atuação ao longo deste tempo, relacionando as ações ao conceito de gestão pública. Ele apontou a importância de focar na redução das desigualdades quanto se aborda a gestão da educação pública, ponderando que esse é um direito universal.

“Nesta sociedade, ser universal implica, em última instância, tratar desigualmente os desiguais para viabilizar uma estratégia de equidade. Sobretudo numa sociedade tão marcada no racismo estrutural que nos organizou ao longo dos séculos. Mais do que isso, se avançarmos e pensarmos nos desafios dessa gestão escolar, são desafios que estão dialogando com essa desigualdade estrutural”, afirmou Ricardo.

Gabriela Lotta comentou, a partir da apresentação de Ricardo, que o grande desafio da gestão pública em educação no Brasil é combinar universalismo com a necessidade de equidade frente às restrições de recursos. Para a pesquisadora, uma das medidas importantes é ter uma gestão que agregue toda a comunidade e o contexto no qual a escola está inserida.

“Partindo da premissa que política padronizada não vai ter efeito no contexto desigual, precisamos ter políticas contextualizadas. A política que dialoga com a necessidade local, que dialoga com o território, que experimenta, que aprende, a partir do que acontece no local, baseia-se na ideia das interações que são centrais no processo de implementação de políticas educacionais” refletiu a pesquisadora.

Gabriela afirmou ainda que este é um ponto chave de atuação do Jovem do Futuro ao longo de todos desses anos. “O aprendizado do local dita e customiza como a política educacional vai acontecer”, completou.

Rogers Vasconcelos Mendes, em sua fala, apresentou um histórico e metas de ação da Secretaria de Educação do Ceará (Seduc-CE) ao longo dos últimos 30 anos.  Ele integra a Seduc desde 2007, e afirmou que os sucessos do estado no IDEB estão nos esforços das políticas publicas focadas em gestão. Rogers destacou a importância da parceria com o programa Jovem de Futuro desde 2011:

“a gestão pública cearense já acompanhava o funcionamento das instituições escolares pautada em evidências, em resultados compactuados. E o Jovem de Futuro foi uma combinação de valores. Houve ali uma sintonia daquilo que estávamos em busca”.

O mediador Alexsandro Santos reforçou dois pontos levantados por Ricardo Henriques na apresentação: a importância do enfrentamento ao racismo estrutural em qualquer política pública brasileira e o protagonismo do setor público.

“Circulou um pensamento no Brasil na década de 1980 e 1990, que todas as soluções para as políticas públicas estariam na iniciativa privada. E a gente foi se acostumando a um discurso que desqualificava o setor público como protagonista das políticas. É muito bom ouvir que as políticas públicas são políticas de Estado. Elas podem ser formuladas e implementadas em parcerias com a sociedade civil, em parcerias com as organizações que estão presentes no tecido social, mas o titular desta implementação é o Estado” ponderou.

Encerrando o evento, Ricardo Henriques reafirmou a importância da parceria com o terceiro setor, com os movimentos sociais, com as universidades e seus atores, em torno das ações do Estado. Além disso, concluiu que a pandemia de 2020 evidenciou as necessidades urgentes de ações no setor público.

“Em um certo sentido, a pandemia fechou um século, acelerou um momento da história e abriu um outro momento que é o da responsabilidade que o Brasil precisa ter. Não só na educação, mas no sentido de valorização da Ciência, de aumento da profissionalização de todos servidores públicos, compromisso radical com a melhoria e avanço contínuo, compromisso com a equidade e, portanto, com a redução da desigualdade, que é o núcleo duro no racismo estrutural”, finalizou Ricardo.

Para assistir ao webinário, acesse https://youtu.be/rjPeBFv-OvQ

 

 

 

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