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Instituto Unibanco debate os desafios para uma educação antirracista durante webinário

28/08/2020 | Editado em 28/08/2020 17:09

Valorização da história do povo negro e engajamento da comunidade local foram pontos de destaque para implementação de práticas antirracistas a partir do espaço da escola

 O Instituto Unibanco promoveu no dia 27 de agosto, às 16h, o webinário Desafios para uma Educação Antirracista. Para o debate, foram convidadas Iara Viana, professora e assessora chefe da Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica, de Minas Gerais; Paola Prandini, diretora e fundadora da AfroeducAÇÃO, empresa social focada na produção de ações estratégicas para a equidade racial brasileira por meio da educomunicação; e Celina Januário Moreira,  professora e gestora escolar da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Fioravante Caliman, do Espírito Santo. Com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube, o evento foi mediado por Maria Julia Azevedo, gerente de implementação de projetos do Instituto, com comentários de Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo.

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto, deu início ao debate apontando que a desigualdade social no Brasil tem como núcleo o racismo estrutural e institucional, e que a escola pública é o principal espaço para enfrentar esse traço da nossa sociedade.

“Como construir pontes amplas na sociedade para um arranjo democrático que reconheça nosso racismo e produza uma escola capaz de dialogar e enfrentar esse racismo estrutural?”, questionou.

Para Iara Viana, da rede estadual de Minas Gerais, a pauta racial no campo da educação ainda recebe pouca atenção. Em sua fala, a professora trouxe um dado da PNAD Contínua Educação 2019 que reforçam a importância de ações e práticas voltadas para o debate racial: enquanto 71,7% dos alunos brancos concluem o Ensino Médio, apenas 52,6% dos alunos negros concluem essa etapa de ensino. Para ela, os professores em suas formações e graduações têm muito pouco contato com autores negros, com a história do povo negro, e isso se reflete nas práticas dentro de sala de aula.

“É preciso repensar o projeto político-pedagógico através de estratégias que levem em conta a memória do povo negro, que denunciem as urgências raciais e que se comuniquem com todos”, afirmou. Como proposta prática, apresentou o “Programa Ubuntu” – iniciação científica para jovens com foco na história, filosofia e trajetória político-social dos afro-brasileiros e dos africanos em diáspora.

Paola Prandini, fundadora da AfroeducAÇÃO, abordou a relevância da luta antirracista na sociedade, partindo também de pessoas brancas.

“É preciso reconhecer os privilégios da branquitude e rever, de forma crítica, o processo histórico do colonialismo e do racismo como condutores e formadores das nossas estruturas sociais. Entendendo essas bases, todos podem e devem ser agentes de mudança e de novos debates nas práticas educacionais – formais ou não”, contou.

Sobre a atuação da AfroeducAÇÃO, descreveu práticas como a sessão AfroEducação no cinema, que promove exibições e debates de filmes de realizadores negros nas escolas; a iniciativa Diálogos Para Não Passar em Branco, debates semanais, online, para refletir o quanto a branquitude e o racismo perpassam nossa vida diariamente; e a Campanha Tirar a Lei do Papel, que convida educadores a debaterem as práticas educacionais antirracistas.

Já Celina Januária, gestora escolar do Espírito Santo, ponderou a dificuldade de inserir a pauta antirracista na escola de forma ampla e não apenas em aulas específicas.

“É preciso desmistificar o mito da democracia racial e reconhecer que todos são racistas e que isto deve ser colocado como base da proposta pedagógica a fim de mudar este cenário. Na escola, nós temos essa responsabilidade”.

Dentre as boas práticas da escola, destacou a pesquisa e valorização das vidas negras da comunidade local; o concurso da Beleza Negra; e a participação das famílias negras no desfile de uma importante festa popular da comunidade.

Alexsandro Santos, da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, falou sobre o desafio de discutir a pauta racial num país onde o racismo atravessa a sua história e todas as instituições. Para ele, é importante lutar pela distribuição do bem da educação de forma igualitária, pois não podemos perpetuar os menores resultados entre os alunos negros.

“Um caminho a seguir nas práticas educacionais é tirar o racismo do campo moral. Todos os dias o racismo é praticado nessa sociedade, inclusive pelas pessoas que nós gostamos e admiramos. E é justamente porque estamos desavisados dessa pratica racial, que não enxergamos esse racismo cotidiano”.

Maria Júlia Azevedo, do Instituto Unibanco, destacou que pessoas brancas estão implicadas neste racismo e que têm muito a aprender. Para ela, quando falamos do racismo estrutural, falamos de fluxos em que todos estão envolvidos.

“É uma conversa díficil, mas se nossas relações geram desigualdades e nós usufruímos de privilégios, estamos falando de coisas do cotidiano que precisam ser debatidas”, afirmou.

Ela finalizou agradecendo aos presentes e convidando a todas e todos para o próximo webinário da série, marcado para 2 de setembro, que reúnirá diretores de escolas para debater os desafios da gestão escolar.

A íntegra do webinário está disponível em https://youtu.be/FhJLmEHY0_c

Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise

Desafios de estudar na pandemia integra o Ciclo de Webinários: Gestão da Educação Pública em Tempos de Crise. Realizada em encontros semanais, de 29 de julho a 9 de setembro, a iniciativa busca contribuir para a ampliação de repertórios sobre gestão em educação no contexto da COVID-19, além do debate de temas transversais, como o enfrentamento às desigualdades étnico-raciais. Os encontros, que contam com o apoio das Secretarias de Educação dos estados parceiros do Instituto Unibanco no programa Jovem de Futuro (Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte), são transmitidos pelo canal do Instituto Youtube, às quartas-feiras, a partir das 16h. Para conferir a programação, acesse https://bit.ly/2EPvVkM

 

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