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Instituto Unibanco e Insper realizam primeira roda de conversa sobre gestão escolar

30/07/2015 | Editado em 30/07/2015 17:26

O Instituto Unibanco e o Insper deram início, na manhã desta quarta (29), ao primeiro encontro do Ciclo de Rodas de Conversa Gestão Escolar para Resultados de Aprendizagem. “A nossa proposta é promover uma reflexão sobre a capacidade da gestão em impactar a aprendizagem dos alunos”, destacou o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques em sua fala de abertura.

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“Dez anos de Ideb: Por que o Ensino Médio não avança?” foi o tema da conversa. Participaram do debate o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP-Ribeirão Preto e ex-presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, a coordenadora de Gestão da Educação Básica da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, Ghisleine Trigo Silveira e o secretário estadual de Educação do Ceará, Mauricio Holanda. A moderação ficou a cargo do coordenador de Avaliação da Fundação Lemann, Ernesto Faria.

“Avaliações são patrimônio”

O reconhecimento da importância e do valor das avaliações foi ponto em comum na fala dos convidados. “As avaliações padronizadas de aprendizagem no Brasil são um tremendo patrimônio. Elas estão sendo criticadas, ideologicamente atacadas e a gente precisa criar a contrainformação”, enfatizou o secretário do Ceará.

“Os resultados da avaliação são absolutamente importantes. Não dá pra fazer a crítica que vem sendo feita às avaliações. Temos que avançar. Ela não é um fim em si mesmo. O desafio é que ela seja de fato um meio”, concordou a representante da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

Por outro lado, os debatedores chamaram a atenção para os aprimoramentos urgentes que precisam ser feitos no Ideb do Ensino Médio, já que a avaliação que mede a proficiência dessa etapa de ensino, além de amostral, avalia apenas os conteúdos de Língua Portuguesa e Matemática.

“Para o Ensino Médio, [avaliar a proficiência em Língua Portuguesa e Matemática] não é o suficiente. Temos que crescer a diversidade nas avaliações tanto na segunda fase do [Ensino] Fundamental como no Ensino Médio”, admite Fernandes, criador do Ideb.

Mauricio Holanda observou que “uma das questões que impactam a aprendizagem dos alunos é um ambiente escolar mobilizado para a aprendizagem”. E completou: “Não consigo mobilizar todos os professores avaliando só Língua Portuguesa e Matemática”.

Para Ghisleine, é preciso avançar também na forma como os dados são divulgados para as redes. “Nem sempre para as escolas e para os gestores o Ideb, como é apresentado, oferece um instrumento de gestão pedagógica. No fim, ele é usado como ranking, as escolas se comparam, mas as pessoas não conseguem entender quais os problemas mais graves, o que precisam mudar em termos de uma gestão comprometida com a aprendizagem”, destacou.

O secretário do Ceará atentou ainda para a duplicidade de avaliações nas redes e o desperdício de recursos decorrente dessa descoordenação de esforços. “Ao invés de termos o Inep fazendo uma avaliação e o estado fazendo outra, vamos respeitar a unidade federada e o resultado que a unidade federada produz, que é confiável. Se há alguma dúvida, que se faça uma auditoria de dados, mas não vamos gastar duas vezes para medir a mesma coisa.

A estagnação do Ideb do Ensino Médio

O professor Fernandes focou sua apresentação na questão da estagnação do Ideb do Ensino Médio, resultado que contrariou as expectativas iniciais de reverberação da evolução dos indicadores dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Uma das principais hipóteses levantadas por ele está relacionada ao crescimento da taxa de matrícula líquida do Ensino Médio. “Está mudando a composição dos alunos que chegam ao Ensino Médio”.  Nesse sentido, “não é possível afirmar que a estagnação é necessariamente ruim quando há mudanças de fluxo”, explicou Fernandes.

No encerramento, o superintendente do Instituto Unibanco fez um balanço do encontro. “Estamos conseguindo falar coisas além do óbvio e é essa a expectativa dessa agenda mobilizadora. Não há respostas definitivas nesse processo. Esperamos que por acúmulo, por adensamento, a gente consiga encontrar esses caminhos”.

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