TOPO

No Mês da Filantropia Negra, Instituto Unibanco recebe programação sobre equidade racial

01/09/2022 | Editado em 02/09/2022 18:00

Painéis abordam contextos históricos e particulares a respeito da diversidade da comunidade negra

Ricardo Henriques (à direita) participa do painel sobre democracia Ricardo Henriques (à direita) participa do painel sobre democracia

Políticas educacionais, profissionais e relacionadas ao investimento social como promotor de iniciativas e ações afirmativas foram alguns dos temas abordados no debate “Filantropia e Equidade Racial: desafios e modos de fazer”, nesta terça-feira (30), na sede do Instituto Unibanco, em São Paulo. Ofertada em formato híbrido, a programação compôs a edição 2022 do “Mês da Filantropia Negra” (“Black Philanthropy Month” – BPM), produzido pela Rede Temática de Equidade Racial, sob a coordenação do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), em parceria com a The WISE Fund.

Com presenças de convidados de diferentes setores, o encontro foi dedicado à troca de conhecimentos, saberes, modos de fazer e práticas sobre contextos históricos e particulares para produzir e disseminar reflexões a respeito da diversidade da comunidade negra, considerando gênero e nacionalidades, com destaque aos líderes da diáspora africana. Neste ano, o Mês da Filantropia Negra foi baseado no tema “Força – A urgência do agora! Do sonho à ação”.

A abertura do evento foi conduzida pela jornalista da Globonews, Thaíza Pauluze, que, após as apresentações, passou a palavra para Cássio França, secretário-geral do GIFE. Ele agradeceu aos parceiros e falou sobre a importância do investimento social privado para apoiar a diversidade. “O tema da equidade racial está no centro do nosso planejamento estratégico, e a gente não vai largar esse tema. Estou convencido de que é necessário pressionar, constranger as organizações que fazem investimento social privado. A gente precisa dizer, com toda a obviedade que transparece, de que não é possível mais que as organizações não tenham equilíbrio racial”. Segundo ele, o evento representa “um dia diferente”, que permite se atentar às agendas presentes nos territórios.

Convidada por Cássio, Thais Nascimento, coordenadora de fomento e inovação do GIFE, discursou. “Aqui, vemos que a pauta de equidade racial não está nos bastidores, mas, sim, na linha de frente. Isso é sintomático. Não dá para ignorar tantas desigualdades e diferenças que são pautadas pelo critério da raça. Agora, estamos em um lugar de transformação, que é fundamental. Se o investimento social privado se engajar com esta pauta, muitas transformações efetivas podem ser realizadas. Espero que as discussões de hoje sirvam para outros desdobramentos importantes dentro das organizações e fora delas.”

Na sequência, Núbia Souza, gerente de Administração e Tecnologia do Instituto Unibanco, reforçou que “a casa sempre estará aberta para ações que promovam a educação pública e a justiça social”. A anfitriã revelou que a expectativa é de atrair novas organizações e parceiros para contribuir e promover ações de equidade. “A ideia é reverberar para que possamos, cada vez mais, influenciar. O enfrentamento ao racismo estrutural brasileiro precisa acontecer para acabar com o abismo social que existe e impede o nosso avanço e o crescimento da nossa raça. A educação tem papel fundamental para promover ações, influenciar e conectar ideias entre o poder público e a sociedade civil, organizada, e a academia”, disse.

Núbia Souza reforçou a necessidade de combater o racismo estrutural

“Precisamos de passos mais fortes e acelerados”

No último painel da programação, que trouxe a temática “Democracia e equidade racial, bem como suas intersecções com a economia, desigualdade e desenvolvimento”, o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, enfatizou o “desafio radicalmente estrutural” e a necessidade de ampliarmos a representação negra nos espaços de poder. Ao lado de Clarissa Marques França, diretora do coletivo jurídico Acqualtune Lab; Marcelle Decothé, gestora de programas do Instituto Marielle Franco; e Vanessa Nascimento, diretora-presidente do Instituto de Referência Negra Peregum, Ricardo pontuou que “a sociedade tem sido consistente, mas precisamos de passos mais fortes e acelerados”.

“Se pegar a representação nos últimos dois ciclos de prefeitos e vereadores, de 2016 a 2020, tínhamos 40% de pretos e pardos e pulou para 43%. Quando a gente olha para governadores, senadores e deputados federais, a gente sai de 24%, em 2014, para 27% em 2020. No ato mais importante de consolidação da defesa de democracia, que houve agora, em 11 de agosto, houve essa preocupação, mas, mesmo assim, essa representatividade, em uma agenda democrática, foi aquém do que deveria ser”, acrescentou o superintendente.

Programação

O primeiro painel abordou “Práticas filantrópicas para a equidade racial” e contou com as presenças de Iara Rolnik, diretora de Programas do Instituto Ibirapitanga; Juliana Yade, especialista em Educação no Itaú Social; Maira Junqueira, diretora de programas da Fundação Ford; Mariana Almeida, superintendente da Fundação Tide Setubal; Mayana Nunes, assessora de projetos do Fundo Brasil de Direitos Humanos; e Thuane Nascimento, a “Thux”, diretora-executiva do PerifaConnection e integrante da Coalizão Negra por Direitos. A mediação foi de Cynthia Martins, jornalista do grupo Bandeirantes.

Na sequência, houve uma “Sessão Especial – Saberes: a filantropia no continente africano”, com Abdelrahman Hassan, representante da Imaginable Futures. Depois, o painel “Ações Afirmativas no Ensino Superior e Empregabilidade” reuniu Ana Ignez Eurico, gestora pública, produtora cultural e educadora social; Daniel Bento, diretor do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT); Daniela Saraiva, líder do Global Opportunity Youth Network (GOYN); e Karen Souza, como mediadora.

O público também contou com a apresentação do grupo de música instrumental Höröyá e uma segunda Sessão Especial, com Maame Afon, representante da AWDF, que apresentou o tema ”Saberes: a filantropia no continente africano”.

Apresentação do grupo musical Höröyá

Compartilhe esta notícia!