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Primeiro dia do seminário sobre gestão escolar compartilha experiências educacionais nacionais e internacionais

02/09/2015 | Editado em 02/09/2015 21:33

Aproximadamente 550 pessoas lotaram a plateia no primeiro dia do Seminário Internacional Caminhos para a Qualidade da Educação Pública: Gestão Escolar, promovido pelo Instituto Unibanco e pela Folha de S.Paulo, com apoio do Insper, nesta quarta (2), em São Paulo.

O evento contou com a presença do secretário de Educação Básica do MEC, Manuel Palácios. “Os temas da programação construída pelo Instituto Unibanco são sem dúvida os mais relevantes. Abrangem os tópicos mais importantes sobre gestão educacional”, afirmou.

A abertura do Seminário teve ainda a participação do vice-presidente do Conselho de Administração do Instituto, Pedro Malan. “Há uma percepção crescente da importância da gestão escolar e do direito inalienável de aprender”, observou. “Espero que nessa área tão fundamental para o Brasil possamos ter essa crescente onda de interesse, de desejo de entender com as métricas, números e comparações pertinentes”, concluiu.

Na sequência, o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, dedicou sua apresentação ao modelo de gestão escolar proposto pela instituição. “Produzir de forma efetiva conexões entre saberes, práticas e talentos a serviço de uma educação que seja capaz de transformar. É essa a nossa missão. Ser um agente de promoção dessas conexões”, salientou.

O superintendente enfatizou ainda a importância da gestão escolar para promoção da equidade: “A gestão não é uma panaceia, mas é uma variável radicalmente necessária, sobretudo em um contexto de desigualdade estrutural que temos no Brasil para garantir o direito de aprendizagem”.

Experiências internacionais

A mesa seguinte foi dedicada às experiências internacionais. Barry McGaw, ex-Presidente do Conselho da Australian Curriculum, Assessment and Reporting Authority (ACARA), da Austrália, destacou como o país vem monitorando o aprendizado de seus alunos. A Austrália realiza avaliações censitárias com o objetivo de verificar o sistema como um todo e também como apoio às escolas na gestão pedagógica. A agência também lança mão de uma série de estratégias com o intuito de disseminar os resultados das avaliações.

Foi criado um site, My School, por meio do qual é possível avaliar o desempenho e a evolução de cada estudante ao longo dos anos. Também há uma preocupação na forma como os dados são apresentados, agrupando as escolas conforme o nível sociocultural das famílias dos estudantes. “As escolas são motivadas por comparações justas”, comentou McGaw. Ele  ressaltou, no entanto, que o uso pedagógico dos dados pelos educadores exige muita formação.

O apoio aos gestores e a equidade como princípio foram alguns dos pontos marcantes da exposição da vice-ministra de Educação de Ontário, no Canadá, Mary Jean Gallagher, sobre o sistema educacional da província. Mary destacou o desafio da equidade, relatando como a questão vem sendo enfrentada em um contexto marcado pela diversidade. “O Canadá é um país de imigrantes”, afirmou.

A vice-ministra apresentou dados de desempenho dos estudantes que mostram um crescimento ascendente, inclusive entre os com necessidades especiais. “Escolas e professores podem fazer milagres. Podem fazer com que todas as crianças aprendam para além das expectativas”, pontuou.

Mary também ressaltou o apoio dado às escolas que apresentam baixo desempenho, respaldado pela crença de que todas, asseguradas as condições, são capazes de garantir a aprendizagem. “Não fechamos escolas, não demitimos ninguém”, esclareceu.

O Office for Standards in Education (Ofsted), da Inglaterra, atua com diretrizes bem distintas ao Sistema de Ontario. Michael Wilshaw, chefe de Inspeções do Ofsted, apresentou o papel desempenhado pela instituição, responsável pelo acompanhamento das unidades escolares e que, em casos extremos, determina o fechamento da escola. O sistema inglês se caracteriza pelo elevado grau de autonomia concedido às unidades escolares, o que permite um nível elevado de responsabilização dos gestores frente aos resultados de aprendizagem obtidos.

O Ofsted foi criado no bojo de fortes investimentos realizados pelo governo britânico nas últimas décadas. “Não existe mudança sem vontade política”, enfatizou Wilshaw.

Experiências nacionais

O período da tarde do primeiro dia do Seminário foi dedicado ao relato de gestores estaduais e municipais cujas redes vêm se destacando por conta do desempenho de seus estudantes nas avaliações externas.

A secretária estadual de Goiás, Raquel Teixeira, apresentou a política educacional do Estado, que permitiu à rede alcançar o melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no Ensino Médio do País. No início de sua fala, Raquel lembrou que: “todos nascem com o mesmo potencial de aprendizagem. A diferença se faz na oportunidade que uns têm e outros não”.

Dentre os programas e ações realizados pelo governo estadual na área da educação, a secretária destacou a elaboração de um currículo de referência em 2012, resultado de um processo colaborativo que envolveu toda a rede; a criação de um curso de capacitação de gestores; ao sistema de monitoramento da frequência escolar e à tutoria oferecida às escolas.

Raquel também comentou a polêmica medida de fixação de placas com Ideb na porta de cada escola implantada na rede. “A pergunta que deve suscitar não é como melhorar o Ideb mas sim o aprendizado dos alunos”, esclareceu, complementando que a iniciativa contribuiu para gerar uma mobilização das famílias em torno do índice.

A secretária também anunciou pilotos que devem ser desenvolvidos no próximo ano de parcerias público-privadas e organizações sociais na gestão das escolas. “A ideia é que, ao tirar do diretor a prestação de contas, podemos cobrar mais empenho na parte pedagógica”, explicou.

Julio Cesar da Costa Alexandre, secretário de Educação de Sobral (CE), município cujo programa de alfabetização se tornou referência nacional, falou na sequência sobre os três eixos sobre os quais se estrutura a política educacional: fortalecimento da ação pedagógica, da gestão escolar e da valorização do magistério. “Todas as ações foram desenvolvidas pensando como apoiar o professor em sala de aula”, reforçou.

Alexandre também deu ênfase à importância das avaliações. “O que foi dito sobre a Austrália [no período da manhã] é muito característico de Sobral também. A avaliação serve para nos aproximarmos de nossos alunos. Serve para apoiá-los e não puni-los”, ressaltou.

O secretário também fez questão de destacar como os conhecimentos acumulados pelos docentes são incorporados aos materiais de formação. “Isso possibilita um empoderamento da escola, porque os professores se veem como parte do processo”, afirmou. “Blindamos nossa sala de aula, nosso professor para que ele possa cumprir o seu papel”, complementou.

Já o secretário do Ceará, Mauricio Holanda Maia, elegeu como destaque da política educacional do estado o regime de colaboração efetiva com os municípios. “O estado entendeu que precisava de uma estratégia de cooperação com os municípios, porque o problema da escola está no início precário da criança”, explicou.

“Quero que os nossos estudantes de Ensino Médio sejam donos da vida deles, coautores do seu processo de aprendizagem e simplesmente os artistas do filme ‘Operação Salvar o Brasil’”, desejou Maia, encerrando sua fala em grande estilo.
O segundo momento da tarde foi dedicado à construção coletiva de conhecimento. O público presente foi convidado a participar de grupos de discussão e a levantar questões relativas aos temas discutidos ao longo do dia. A sistematização dos debates deve ser comentada pelos palestrantes na tarde de amanhã, último dia do evento.

Acompanhe ao vivo o segundo dia do Seminário Internacional Caminhos para a Qualidade da Educação Pública: Gestão Escolar.

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