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Webinário aborda diretrizes para o avanço contínuo da aprendizagem em Goiás

25/02/2022 | Editado em 25/02/2022 17:52

Encontro promovido pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO) e Instituto Unibanco traçou metas para 2022, projetando pontuações crescentes do Idego para o Ensino Médio e Ensino Fundamental II, alinhadas à garantia da aprendizagem, à redução da desigualdade da aprendizagem e à mitigação de abandono e evasão

No dia 21 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), com o apoio do Instituto Unibanco, promoveu o webinário Educação de Goiás para o Avanço Contínuo da Aprendizagem. Com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da Seduc Goiás e tradução simultânea em libras, o encontro contou com a participação de Fátima Gavioli, secretária de Estado da Educação de Goiás; Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco; Márcia Carvalho, superintendente de Gestão Estratégica e Avaliação de Resultados (SUGEAR); e Patrícia Coutinho, superintendente de Organização e Atendimento Educacional da Seduc-GO. A mediação ficou a cargo de Mariana Lopes Andrade, da equipe de implementação do Instituto Unibanco em Goiás.

Abrindo o evento, Fátima Gavioli e Ricardo Henriques falaram dos 10 anos de parceria entre o Instituto Unibanco e o Seduc-GO, bem como da importância de se abordar o avanço contínuo da aprendizagem e as metas para os próximos anos.

“É muito bom para nós, uma instituição privada com comprometimento programático com a rede pública de ensino, conseguir ter uma intervenção de parceria consistente e duradora, que conta com trocas, cocriações e aprendizagens recíprocas. Goiás é referência para o país e acumula um conjunto de práticas e resultados expressivos, embora nem sempre conhecidos. Nesse período recente, mesmo com a crise vivenciada, vimos uma condução muito consistente e sólida desses avanços no estado”, comentou o superintendente-executivo do Instituto Unibanco.

“Foram 10 anos de comprometimento e engajamento de toda a rede em prol do Jovem de Futuro e do Circuito de Gestão. O Circuito de Gestão não vai evoluir apenas na busca da aprendizagem, mas também em relação às pessoas que têm esse papel na rede, como os nossos tutores”, explicou Fátima.

Em seguida, Patrícia Coutinho iniciou sua fala contextualizando a trajetória do Circuito de Gestão Goiano, que, agora, segue mais estruturado, redesenhado e com muito mais autonomia, de acordo com as especificidades do estado, além de explicar brevemente sobre a metodologia de gerenciamento PDCA do Circuito de Gestão, acrônimo em inglês para planejar, fazer, checar e agir (Plan, Do, Check and Act). Através de uma sequência de ciclos, o Circuito de Gestão propicia a análise, a revisão e o aprimoramento de cada ação, promovendo assim o avanço contínuo da gestão escolar.

“Cada instância, ou seja, tanto secretarias, quanto regionais e escolas, possuem suas metas, executam e monitoram planejamentos, corrigem rotas e fazem o compartilhamento das boas práticas. Isso é o que chamamos de rodar o PDCA. Hoje, temos três objetivos estratégicos: a garantia da aprendizagem, a redução de sua desigualdade e a mitigação do abandono”, explicou.

Além das especificações sobre as etapas do Circuito, Patrícia levantou números atualizados do programa no estado. Hoje, Goiás conta com 919 escolas da rede estadual parceiras do Jovem de Futuro:  689 escolas de Ensino Médio, 758 de Ensino Fundamental II, 528 escolas mistas (EFII e EM), 48 escolas militares e 256 escolas em regime integral. Além disso, para 2022, outras 312 escolas entrarão no Circuito de Gestão.

Da gestão para resultados à gestão para o avanço contínuo

Em sua apresentação, Ricardo Henriques levantou cinco questões-chave sobre a gestão para o avanço contínuo no país e, sobretudo, no estado de Goiás: há boas ideias e práticas na educação pública brasileira, mas baixa atenção aos desafios de implementação; aprendemos muito pouco com os erros e acertos durante esse período e é frequente a sensação de “começar do zero”; o aprendizado nesta etapa exige competências diversas, como flexibilidade cognitiva, colaboração e liderança instrucional; o desenvolvimento dessas competências pode mudar nossas práticas e, também, nossa cultura institucional; e, por último, a conquista de um novo patamar na educação requer uma cultura que promova o avanço contínuo na educação. Segundo ele, as quatro competências para mudança de patamar de gestão são a flexibilidade cognitiva dos gestores, competência coletiva, liderança instrucional e a valorização da gestão pública.

“A valorização da gestão pública implica ser eficiente, eficaz e efetivo. Com o tamanho da desigualdade educacional brasileira, nós, como gestores públicos, não temos o direito de sermos ineficientes. A ineficiência pune os mais vulneráveis e mais pobres e, evidentemente, isso é ainda mais agravado em uma sociedade que, além de desigual, tem traços estruturais de racismo. Nesse sentido, a perpetuação da desigualdade e do racismo está associado à irresponsabilidade que por vezes acontece na gestão pública de não ser eficiente, eficaz e efetivo. Isso é vital para uma responsabilização que está associada à ideia de equidade e qualidade para todos”, comentou.

Além disso, Ricardo elencou três dimensões de gestão para o avanço contínuo: o foco no aluno, o aprendizado com a prática e a coerência interna.

Resultados do Sistema de Avaliação Educacional do Estado de Goiás (SAEGO)

Ainda durante o webinário, Marcia Carvalho apresentou os dados de 2021 do Sistema de Avaliação Educacional do Estado de Goiás (SAEGO), correlacionando-os com os números de 2019.

Em relação à evolução da proficiência em língua portuguesa e matemática na rede estadual de educação, de 2019 para 2021, a proficiência reduziu em todas as disciplinas e níveis. Já sobre a apuração de metas relativas à proficiência por escola traçadas para 2021, Patrícia mostrou que 42% das escolas do Ensino Fundamental II e 36% das escolas do Ensino Médio atingiram suas metas.

Encerrando o encontro, Fatima Gavioli abordou a importância de se fazer uma comparação dos dados entre 2019 e 2021, levando em conta cenários diferentes.

“Em 2019, fora do período de pandemia, a rede teve um crescente. Já em 2021, na pandemia, sabemos que nossos estudantes ficaram dois anos praticamente no ensino à distância. Tivemos cerca de 15% de alunos da rede que não tinham acesso à internet. Ou seja, já era esperado esse impacto no aprendizado desses estudantes e é importante que olhemos para esses resultados com muito cuidado”.

Ainda assim, Fátima lembrou que, durante a pandemia, houve escolas que cresceram 90 pontos em língua portuguesa e 70 pontos em matemática; embora também tiveram aquelas que caíram no mesmo patamar, configurando ainda mais a desigualdade de aprendizagem na rede estadual.

“Precisamos nos debruçar nesses dados e entender onde estão essas defasagens de aprendizado, pois este é o ano de identificar as lacunas e trabalhar a recomposição da aprendizagem. Por isso é importante que, antes de olharmos para as metas, darmos mais atenção aos resultados e a toda a trajetória no estado. Nós sabemos onde queremos chegar. A rede de Goiás é a melhor rede de educação do país, com primeiro lugar no IDEB, e estamos caminhando neste momento para recuperar a aprendizagem desses estudantes”, conclui.

Desafio da Meta IDEB 2022

Sobre a pactuação de metas da rede para 2022, Fátima destacou que o grande desafio será a projeção do Índice de Desenvolvimento da Educação de Goiás (Idego). Para o Ensino Médio, a meta é que a rede alcance a pontuação de 4.89; já para o Ensino Fundamental 2, a projeção é 5.55.

Segundo ela, essas projeções devem ajudar a escola a planejar, estabelecer e a sustentar uma trajetória de aprendizagem que seja contínua e que continue crescendo ano após ano, independentemente do ano em que haja avaliação do IDEB. A meta do estado será cascateada na meta das Regionais e das Escolas. “Os desafios para 2022 precisam estar alinhados aos três objetivos estratégicos da secretaria, que é a garantia da aprendizagem, a redução da desigualdade da aprendizagem e a mitigação de abandono e evasão”, concluiu.

Confira o webinário Educação de Goiás para o Avanço Contínuo da Aprendizagem:

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