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Webinário discute o futuro do Sistema de Avaliação da Educação Básica

21/06/2021 | Editado em 21/06/2021 15:56

Instituto Unibanco e Conselho Nacional de Educação reuniram especialistas para primeiro debate de série sobre presente e futuro das avaliações educacionais

No dia 16 de junho, foi realizado o webinário Para onde vai o Saeb?, primeiro da série “Presente e Futuro das Avaliações Educacionais no Brasil”, promovida pelo Instituto Unibanco em parceria com o Conselho Nacional de Educação (CNE). Para discutir o futuro do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), criado há mais de 25 anos, e as mudanças necessárias para aperfeiçoar a avaliação da qualidade do ensino no País, o encontro contou com a participação de Nilma Fontanive, coordenadora do Centro de Avaliação da Fundação Cesgranrio; Raquel Teixeira, secretária de Educação do Rio Grande do Sul; Aléssio Costa Lima, presidente da região nordeste na UNDIME Nacional e Dirigente Municipal de Educação de Palhano (CE); e Tufi Machado Soares, professor Titular da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Com abertura de Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, e mediação de Maria Helena Guimarães Castro, presidente do CNE, o evento foi transmitido ao vivo com tradução em libras no canal do Instituto no Youtube.

Ricardo Henriques iniciou sua fala destacando que esse seria o primeiro de quatro encontros com o CNE, que representam uma grande oportunidade para discutir as estratégias, as soluções emergenciais, a recuperação de aprendizagem e, sobretudo, as projeções para pensar um sistema integrado de avaliações educacionais.

“No webinário de hoje, nós estamos discutindo especificamente o Saeb, que possibilitou monitorar a evolução da educação nesses 20 e tantos anos, e como a gente pode aperfeiçoar isso”, afirmou, introduzindo o tema.

Em seguida, Maria Helena lembrou das mudanças importantes que ocorreram na educação brasileira nos últimos anos, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Novo Ensino Médio e as novas orientações para o ensino técnico e tecnológico.

“O que a gente precisa fazer? Quais competências nós vamos avaliar? Como nós vamos avaliar? Quais são os aspectos do Saeb atual que precisam ser aperfeiçoados? O que mostram as avaliações internacionais sobre avaliação das aprendizagens? É com esse espírito e com essas grandes perguntas que nós iniciamos esse debate”, disse, convidando os demais participantes para a discussão.

Para Nilma, o Saeb deve continuar em seu formato bianual e abarcar outras disciplinas e habilidades, como ciências da natureza e ciências humanas. Segundo ela, se essa mudança for implementada, é importante que a escala Saeb seja conservada para que seja possível continuar acompanhando a evolução dos alunos e não se percam dados anteriores. Outra proposta é a formulação de um Saeb digital, assim como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2020 digital. Além disso, segundo ela, é imprescindível uma maior celeridade nos resultados do exame.

“A tecnologia tem que nos ajudar a tornar esse processo mais ágil”, finalizou.

Tufi, por sua vez, recordou o histórico do Saeb, que teve início nos anos 90 com a finalidade de monitorar a qualidade da educação básica no Brasil como um todo. Para ele, apesar de o exame manter a sua essência ao longo dos anos, mesmo com um aumento de escopo, não houve um avanço tecnológico equivalente. Recentemente, no entanto, o teste passou por diversas mudanças por meio de alterações na Portaria nº 10 do Instituto Nacional de Estudos  e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 08 de janeiro de 2021, que prevê um aumento na abrangência e no escopo da avaliação do ensino; extensão dos anos avaliados que agora vão do 2º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio; avaliação universal das escolas em quatro disciplinas (língua portuguesa, matemática, ciências da natureza e humanas); aplicação anualizada e digital; e avaliação do aprendizado do aluno. Segundo o especialista, é importante rever os custos e finalidades dessas alterações, que devem ser implementadas ao longo dos próximos 6 anos.

“Sob o aspecto tecnológico, a introdução digital já deveria ter sido introduzida há mais tempo. Nós, de fato, estamos atrasados nisso e devemos colocar em prática imediatamente. É óbvio que a pandemia escancarou essa necessidade”, argumentou.

Por outro lado, Aléssio avalia que antes de se discutir o futuro do Saeb, é necessário pensar nas questões que envolvem a avaliação a ser aplicada ainda neste ano. O primeiro questionamento levantado por ele é justamente sobre a aplicação do teste após quase dois anos de suspensão das aulas presenciais e ensino remoto e híbrido. Apesar de não descartar a necessidade e a importância de ter mecanismos de avaliação, Aléssio explica que o ideal seria a realização de exames em outros moldes, que tenham uma perspectiva diagnóstica de auxiliar as redes a compreenderem melhor como esse aluno está se desenvolvendo. Além disso, ele questiona o uso do Saeb como critério de redistribuição de recurso por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

“Esse fator é equivocado e vai acentuar as desigualdades educacionais no sistema”, afirmou.

Encerrando o debate, Raquel também questiona a realização de um Saeb censitário ainda em 2021. Para ela, uma avalição amostral para diagnóstico das carências pedagógicas para intervenção faz mais sentido. Raquel também apontou as grandes perdas de aprendizagem trazidas pela pandemia, citando o estudo lançado no começo do mês pelo Instituto Unibanco em parceria com o Insper. Apesar de ver uma imensa importância nas avaliações, assim como Aléssio, ela acredita que o resultado de uma avaliação agora possa culpabilizar professores pela defasagem dos alunos, além de prejudicar os próprios estudantes que estão inseguros com o seu futuro.

“A gente tem um peso grande sobre o professor, sobre o aluno, sobre a sociedade em um geral. E talvez a gente precise olhar para essa pandemia com um olhar mais empático e mais científico”, pontuou.

Para assistir à gravação do webinário Para onde vai o Saeb? Presente e Futuro das Avaliações Educacionais acesse:

No dia 23 de junho, às 16h, o próximo encontro, “Caminhos para o Enem” discutirá o Exame Nacional do Ensino Médio e as mudanças necessárias para que ele seja mais aderente à BNCC e ao Novo Ensino Médio. Para discutir o assunto, o evento terá como convidados Maria Inês Fini, presidente da Associação Nacional de Educação Básica Híbrida (ANEBHI); Reynaldo Fernandes, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP); Amábile Pacios, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e vice-presidente da Federação Nacional da Escolas Particulares e; Ellen Gera, secretário de Estado da Educação do Piauí. Com tradução em libras, o encontro será mediado por Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, e transmitido ao vivo pelo canal do Instituto no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=v5JoQDy5XXY.

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