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Apoio na organização dos estudos é uma das principais demandas dos jovens

01/07/2020 | Editado em 08/07/2020 09:31

Segundo pesquisa realizada pelo Conjuve (Conselho Nacional de Juventude) com mais de 33 mil jovens e divulgada no mês de junho, o apoio da escola na gestão do tempo e na organização dos estudos figura como a segunda principal demanda dessa população, apontada por 49% dos entrevistados. Fica atrás apenas de “atividades para controlar as emoções, como estresse e ansiedade”, mencionada por 57%.

O resultado chama a atenção porque, mais do que dar pistas para os educadores de quais conteúdos priorizar, revela que esse tipo de orientação no contexto do ensino remoto é essencial. Se por um lado os jovens têm agora a liberdade de escolher como e quando estudar, por outro, a mudança requer disciplina, concentração diante de tantas distrações existentes fora da sala de aula e capacidade de estabelecer uma rotina de estudos. Diversas redes e escolas, atentas à questão e diante da demanda por esse tipo de suporte, vêm trabalhando a questão.

No Ceará, a Secretaria Estadual de Educação disponibilizou para toda a rede um Guia de Apoio aos Estudos Domiciliares que, entre outros conteúdos, traz dicas para que os estudantes possam “aproveitar melhor o tempo de aprendizagem”:

Guia de Apoio aos Estudos Domiciliares - Seduc/CE

Na Escola Estadual Prof. Otto Brito Guerra, localizada no município de Ceará-Mirim, na Região Metropolitana de Natal (RN), a gestão conta que esse aspecto está entre as temáticas recorrentemente abordadas nos posts publicados nos perfis da instituição no Facebook e no Instagram. Nas redes, são dadas dicas simples de como estudar sozinho, como “tenha metas definidas e se esforce para cumpri-las” e “desligue as notificações das redes sociais”, ou como interpretar questões, como “enquanto estiver lendo, encontre palavras-chave e circule-as”.

A questão também é trabalhada de forma mais individualizada, principalmente por meio da comunicação via whatsapp, nos atendimentos que os professores realizam junto aos estudantes. “Alguns alunos procuraram os professores para relatar que estavam sentindo dificuldades com essa nova rotina em casa”, conta a vice-diretora, Samaya Fagundes. “Feito esse diagnóstico, fizemos uma sensibilização com a equipe pedagógica da escola porque a nossa preocupação era que houvesse essa interação com os alunos para diminuir o impacto do distanciamento social para mostrar que a escola permanece perto deles como um porto seguro e também para que a gente possa colaborar dando apoio emocional”, ressalta.

O atendimento individualizado é importante porque o docente pode auxiliar o estudante a descobrir quais técnicas de estudo funcionam melhor para ele. “É a oportunidade de perceber os potenciais. O aluno pode não ter, em sala de aula, a chance de desenvolver habilidades de registro, de fazer mapas conceituais ou de construir explicações em vídeo ou em podcasts”, ilustra a formadora Renata Capovilla em 5 dicas para orientar seus alunos a estudar em casa, Nova Escola da Nova Escola sobre o tema.

Metodologia ativa

Uma outra forma de estimular o desenvolvimento da autonomia nos estudos é por meio da proposição de atividades que gerem um maior engajamento dos alunos. Na rede estadual de educação do Piauí, nas ações de formação continuada, os professores têm sido incentivados a lançar mão de metodologias ativas de ensino. “Queremos que o aluno seja o protagonista. E a metodologia ativa tem essa ideia de que o aluno que constrói o seu conhecimento. O professor é o mediador. Ela é ativa porque está ativando o conhecimento do aluno”, explica a formadora da Seduc-PI, Márcia Damasceno.

“Agora, nesse momento de ensino remoto, o protagonismo do aluno está mais presente, porque ele tem a autonomia de decidir quando vai estudar, quais os recursos que vai utilizar, quais as fontes de pesquisa. Mas isso precisa do direcionamento do professor, [depende] da estratégia que ele vai utilizar, como vai desenvolver esse conteúdo”, ressalta.

Os Laboratórios de Aprendizagem, metodologia implantada na rede estadual alagoana frente à interrupção das aulas presenciais, têm como ideia central justamente colocar o estudante como protagonista e estimular o olhar para o território e o contexto atual. Consistem em roteiros de estudos com propostas de atividades interdisciplinares, dicas para resolvê-las, sugestões de investigação, prazo e formas de registro, elaborados a partir de um tema gerador. Os Laboratórios são organizados em sete áreas: Língua Portuguesa, Matemática, Comunicação, Iniciativas Sociais ou Comunitárias, Desenvolvimento de Atividades Lúdicas, ideias Inovadoras e Clube do Livro.

No Laboratório de Ideias Inovadoras da Escola Estadual Pedro Teixeira, em Maceió (AL), os alunos produziram, com a orientação dos professores de Química, Física e Biologia, um repelente caseiro à base de álcool 70 e cravo da Índia. “Trouxemos essa receita caseira muito importante para os tempos atuais, pois estamos próximos da estação chuvosa, quando aumentam casos de doenças como dengue e chikungunya”, explicou o professor Luciano Raposo, de Química, em notícia publicada no site da Seduc-AL.

Na Escola Estadual Professora Edleuza Oliveira da Silva, de São Miguel dos Campos (AL), a partir do tema gerador “os impactos da Covid na região”, foram produzidas notícias com gráficos e tabelas sobre os efeitos da pandemia no bairro e na cidade.

Para a vice-diretora Samaya Fagundes, do Rio Grande do Norte, o desenvolvimento de uma maior autonomia dos estudantes deve ser um dos ganhos desse período de ensino remoto. “A gente já percebe, conversando com os estudantes, uma certa independência, porque eles estão passando a ter mais autonomia de pesquisa, estão sabendo se colocar melhor, estão chegando mais próximo ao professor”, observa. “Acreditamos que muitos retornarão sim mais independentes, com mais disciplina nos estudos”, complementa.

 

PARA SABER MAIS

 

MAPA DE SOLUÇÕES

O Instituto Unibanco, em parceria com a consultoria Vozes da Educação, vem desde o início da pandemia mapeando soluções desenvolvidas por sistemas escolares no contexto da Covid-19. As ações podem ser visualizadas num mapa interativo disponível aqui. Abaixo, veja algumas das soluções relacionadas com o apoio aos estudantes na organização de uma rotina de estudos.

Butão

O Ministério da Educação publicou em seu site uma série de materiais para apoiar o auto aprendizado dos estudantes que vivem em áreas remotas e não possuem acesso à televisão ou internet.

As atividades contidas nos materiais foram desenvolvidas considerando a idade dos alunos e seus potenciais de aprendizado, e seu design foi pensado tecnicamente para promover o auto-engajamento e a aprendizagem dos estudantes em casa de forma independente.

O material traz recomendações de como outras pessoas podem apoiar o estudante no uso do material: os pais podem ajudar reservando um tempo para acompanhar e motivar o aluno; irmãos mais velhos podem ajudar os irmãos mais novos com conteúdos que já tenham aprendido na escola; professores da mesma vizinhança podem auxiliar o estudante, entre outros.

https://bit.ly/2YKWnm9

Chile

O Ministério da Educação, em parceria com os “cursinhos pré-universitários” CPECH, PDV e Puntaje Nacional, disponibilizou conteúdos e recursos, de forma grátis e online, para apoiar os estudantes na preparação para os exames de acesso ao ensino superior. Os estudantes poderão se inscrever gratuitamente e ter acesso a materiais e ferramentas de estudo, como aulas online, exercícios separados por áreas contempladas pelas provas, simulados online e acesso aos resultados de seu desempenho neles. As inscrições podem ser realizadas durante o período de suspensão das aulas e os conteúdos ficarão disponíveis até o final do ano.

https://bit.ly/2XLKLPl

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