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Como apoiar as famílias durante o fechamento das escolas

22/04/2020 | Editado em 26/06/2020 16:05

As famílias sempre foram parceiras fundamentais da escola. Com a paralisação das aulas presenciais em decorrência da pandemia de coronavírus, ganham ainda mais relevância na vida escolar dos filhos. E se manter uma relação próxima com os pais ou responsáveis é uma tarefa que normalmente demanda um esforço permanente dos gestores e professores, em tempos de isolamento social, o desafio é ainda maior. Por outro lado, é natural que as famílias se sintam desorientadas num primeiro momento, frente a essa reconfiguração da educação de seus filhos e busquem auxílio da escola.

Diante da impossibilidade de prever por quanto tempo essa situação se prolongará, a maioria das redes públicas de ensino vem adotando estratégias de educação a distância ou ensino remoto com o objetivo de reduzir o impacto da interrupção das aulas presenciais na aprendizagem dos estudantes. O apoio da família na estruturação da rotina escolar dos filhos é crucial para que essa continuidade dos estudos se dê de forma satisfatória. Em documento produzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com indicações para orientar a resposta educacional à pandemia de covid-19, uma das recomendações é:

Um elemento crítico é a comunicação com as famílias. Os meios convencionais de comunicação, mensagens de voz e folhetos, podem não ser adequados. Portanto,  equipes escolares de confiança, ou agentes que façam a ponte entre escola e famílias, podem ajudar a manter os pais informados sobre o que eles podem fazer para apoiar seus filhos, e apoiá-los para fazê-lo.

Vulnerabilidade social

O aprofundamento das desigualdades educacionais tem sido apontado por especialistas e organizações que atuam na área como um dos efeitos da pandemia. Os diversos contextos familiares vivenciados pelos estudantes são um ponto de atenção nesse sentido, não só pelo acesso desigual à internet, mas também pelos diferentes graus de suporte da família com os quais os alunos poderão contar em casa.

Nesse sentido, é importante que os sistemas de ensino e as escolas tenham mapeadas as condições de acesso dos estudantes aos recursos tecnológicos, e conhecimento sobre a situação de vulnerabilidade das famílias, propondo, assim, estratégias de ensino e aprendizagem que contemplem a todos e todas.

Em Goiás, a Secretaria tem observado um fortalecimento das relações entre escolas e famílias, mesmo as mais vulneráveis. Segundo a Superintendente de Organização e Atendimento Educacional da Seduc/GO, Patrícia Coutinho, essa tem sido “uma grata surpresa”:

“Grande parte dos pais dos nossos alunos não tem instrução ou conhecimento suficiente, mas apesar disso eles têm se envolvido e entendido o quanto é importante os seus filhos permanecerem aprendendo, e o quão importante é a motivação do pai, ainda que ele não saiba ensinar. Mas o fato de ele motivar esse filho a estudar, a fazer suas atividades, a anotar suas dúvidas e ligar para o professor ou fazer uma chamada de vídeo ou enviar um e-mail ou mesmo mandar um bilhete pelo pai… Isso tem sido excepcional para nós”, conta.

A orientação às famílias sobre como melhor apoiar os filhos em seu processo de aprendizagem é, portanto, uma dimensão essencial na estratégia das redes. No contato com os pais, porém, podem surgir demandas mais básicas, especialmente em famílias mais vulneráveis.  A Unesco chama a atenção para esses e outros efeitos adversos do fechamento das escolas, como a questão do acesso à alimentação (https://en.unesco.org/covid19/educationresponse/consequences).

Para muitos alunos, a merenda é uma refeição importante para sua sobrevivência. Atentas a essa necessidade, várias redes têm desenvolvido ações com esse foco. Levantamento feito nas redes estaduais pelo site Educação e Coronavirus, apoiado pelo Instituto Unibanco, mostra que a estratégia mais comum é a transferência direta de recursos por meio de programas sociais. Mas há também redes que optaram por distribuir cestas básicas, caso do Acre e do Pará (este último, em estratégia combinada com a transferência de renda).

É importante que os gestores tenham conhecimento dessas estratégias, para poder orientar as famílias da melhor forma possível. Como única instituição presente em muitos territórios, a escola desempenha um papel importante de elo com serviços de assistência social. Nesse momento de paralisação das aulas, é importante que o gestor, com apoio da secretaria e de outros órgãos de governo, sinalize às famílias que a escola segue disponível para encaminhamentos e orientações nesse sentido também.   

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