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Instituto Unibanco participa de debate sobre mobilização e políticas públicas

01/04/2014 | Editado em 01/04/2014 14:45

“Como produzir novos valores a partir da rica experiência de mobilização para mudar o arranjo social que temos?”. Essa foi a questão disparadora de reflexão que Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, propôs para o debate sobre Mobilização e Políticas Públicas, no 8º Congresso GIFE, que aconteceu entre os dias 19 e 21 de março em São Paulo.

Ao abrir a mesa de debate, Ricardo Henriques ressaltou que este tema faz parte das inovações da agenda que o Gife, Grupo de Institutos Fundações e Empresas, traz para dentro do investimento social privado: uma reflexão sobre as mobilizações e políticas públicas e as capacidades de compromisso das empresas, fundações e institutos para contribuir com a agenda da redução das desigualdades no Brasil.

Foram convidados para o debate Alessandra Orofino, da Rede Mobilizadora Meu Rio (http://www.meurio.org.br), Pedro Abramovay da Open Society Foundations (http://www.opensocietyfoundations.org), Pedro Henrique Cristo da +D// Design com Propósito e Rafael Oliva da Oi Futuro (http://www.oifuturo.org.br) para falarem sobre suas experiências e o potencial de engajamento e participação da sociedade em questões de interesse público para a ampliação dos limites da democracia representativa.

Durante o debate, foram feitas referências às mobilizações de junho de 2013 que tomaram conta do País, convocada inicialmente pelo Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL-SP) e deflagrada contra o aumento da tarifa nos transportes públicos e em favor da tarifa zero, ou seja, do transporte público gratuito. Ao longo dos protestos, foram incorporadas inúmeras agendas sociais como melhoria da educação e saúde públicas, entre outras, que podem ser sintetizadas como uma ampla, embora difusa e fragmentada, agenda pelos direitos de cidadania. “Não podemos dizer que a juventude não tem protagonismo e iniciativa. Porém, os jovens estão céticos e estão ocupando as ruas em face à crise da democracia representativa e das instituições”, ressaltou Henriques.

Segundo ele, para fortalecer o papel das fundações, institutos e organizações da sociedade civil no Brasil de hoje é necessário ir ao encontro dessas mobilizações pela agenda de direitos.

Rafael Oliva ressaltou que a agenda da defesa de direitos tem crescido na pauta do investimento social privado de acordo com o Censo Gife – pesquisa quantitativa sobre o panorama do investimento social privado no Brasil. Oliva destaca que as ONGs precisam enfrentar o desafio de produzir informação pública sobre suas agendas em uma linguagem compreensível para o mundo empresarial, com vistas a aproximar estes dois mundos.

Destacando a potência da Internet para a mobilização, Alessandra Orofino apresentou os aplicativos e ferramentas da rede Meu Rio que facilitam a organização das pessoas para propor soluções de políticas públicas locais. “É preciso fazer conexão entre online e off-line, ou seja, entre a Internet e a vida real”, esclareceu Alessandra.

“A cidade é um sistema e sistemas são decididos de baixo para cima com coesão social”, acredita Pedro Cristo. Sobre a contribuição que o investimento social privado pode oferecer às mobilizações de iniciativa popular, Cristo chama a atenção para o risco de o setor privado ‘atropelar’ algumas vozes legítimas por conta do imediatismo, que é natural no mundo empresarial. “O redesenho das políticas públicas precisa refletir a vontade das pessoas”, concluiu.

Relacionando mobilização e políticas públicas, Pedro Abramovay ressaltou que as políticas públicas sempre existiram assim como as mobilizações. O que é novo nos tempos atuais é o papel da internet nesta relação. “Como vamos aproveitar o fato das pessoas poderem se conectar para transformar as políticas públicas?” questiona. Abramovay acredita que a política precisa se engajar em uma nova lógica de multiplicação e compartilhamento. Se por um lado, com a internet, os indivíduos e as organizações da sociedade civil têm a possibilidade de exercer maior controle sobre o governo, por outro lado, é imprescindível que as instituições públicas se reformem para ampliar sua interação com a sociedade.

Ao final, Henriques observa que o campo dos direitos demanda melhorias na educação e tem um grande potencial comunicativo. “As conexões entre investimento social privado, as políticas públicas e o engajamento da sociedade civil geram tensões, mas têm a potência de ser um jogo em que todos ganham”, concluiu Ricardo Henriques.

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