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Migração para EaD requer dos gestores ainda mais atenção para desigualdades

04/04/2020 | Editado em 12/06/2020 13:17

A migração repentina das redes públicas de educação para o ensino a distância tende a agravar desigualdades educacionais durante a pandemia do novo coronavírus. Com as escolas fechadas, educadores temem, entre outros problemas, o impacto da falta de merenda, de computadores e de acesso à internet nos alunos em situação de maior vulnerabilidade.

Este conteúdo é mais um de iniciativa do Instituto Unibanco, que busca ajudar nesta página gestores escolares com reflexões e sugestões de ações para enfrentar os desafios trazidos com a pandemia do Covid-19.

“A quarentena gera desigualdade”, resumiu a doutora em educação pela Universidade Harvard e diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), Lúcia Dellagnelo, em entrevista à jornalista Bruna Ribeiro, no portal do Estadão.

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, em parceria com a plataforma Cada Criança, lançou o Guia Covid-19 − Educação e proteção de crianças e adolescentes. A publicação faz referência às carências tecnológicas, enfatizando que qualquer política de educação a distância deve levar em conta os excluídos digitais. “As pessoas em maior situação de vulnerabilidade tendem a ser as mais prejudicadas”, diz o texto.

A equipe da UNESCO responsável pelo Relatório de Monitoramento Global da Educação postou recomendações para a busca da equidade enquanto durar o fechamento das escolas. Uma delas é a capacitação dos professores para o ensino a distância, o que pode ser feito on-line. Outra é garantir a oferta da merenda escolar. Veja algumas das recomendações para gestores das redes e das escolas, para enfrentar dois dos problemas mais comuns:

Entrega da merenda escolar:

  • No contexto brasileiro, uma alternativa muito importante a considerar é o aumento de repasse, via programas de transferência de renda, para que as famílias possam ter recursos para comprar alimentos nos mercados locais, seguindo todas as recomendações das autoridades de saúde com relação a esse deslocamento.

A Unesco destaca outras soluções que estão sendo utilizadas em diferentes países, tais como:

  • Uso de ônibus escolares para levar os alimentos às famílias dos alunos
  • Parcerias com serviços de entrega de comida em domicílio
  • Definição de pontos de distribuição da merenda, mas com o cuidado de tentar evitar a aglomeração

Atenção à aprendizagem dos alunos mais vulneráveis

  • A Unesco recomenda que as escolas planejem atendimentos diferenciados para alunos com dificuldades de aprendizagem, uma vez que esses estudantes correm maior risco de não avançar nas aulas a distância.
  • Um professor pode ser designado para fazer contato diário com esses alunos.
  • Outra ideia é promover videoconferências com grupos de estudantes na mesma situação.

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