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Escola em tempo integral: benefícios e desafios a serem alcançados

05/08/2022 | Editado em 05/08/2022 13:43

O ensino em tempo integral, aquele em que os estudantes passam o dia todo na escola, vem ganhando mais visibilidade e debate nos últimos anos. É fato que as escolas em tempo integral podem contribuir para um resultado mais significativo para os estudantes. Como mostra o Censo Escolar de 2019, o percentual dos alunos que frequentavam cursos com sete horas diárias ou mais chegou a 10,8% no país, com a maior taxa na rede pública, com 11,7%. Além de seguirem a grade da Base Nacional Comum Curricular, as escolas em tempo integral podem contar com ensino profissionalizante, aulas de idiomas entre outras atividades extracurriculares que potencializam o aprendizado.

Essas escolas seguem o modelo educacional EPT (Educação Profissional e Tecnológica), previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) com o objetivo de preparar os jovens para o exercício de profissões e contribuir para a inserção dos estudantes no mercado de trabalho e sociedade. Ou seja, é um modelo que abrange cursos de qualificação, habilitação técnica e tecnológica, todos eles com o intuito de proporcionar um melhor aproveitamento contínuo aos estudantes.

Benefícios desse modelo de ensino para os estudantes

Os benefícios do modelo de ensino em tempo integral para os estudantes podem ser diversos. Isso porque com ele é possível ir além do conteúdo da grade regular somando atividades que envolvam outros campos, como tecnologias, artes e esportes, além da profissionalizante. Assim, o aluno aprende os conteúdos da base e ainda conta com algum curso da área que deseja seguir, fator que pode representar melhores chances de ingressar no mercado de trabalho e também estimula os jovens a continuar a sua formação no ensino superior.

O que ainda pode ser alcançado

Mesmo que o modelo esteja avançando e contribuindo para a melhora do ensino público de maneira geral, ainda é preciso investir em melhores condições nas escolas públicas brasileiras regulares, bem como nas que trabalham com a EPT, com investimentos maiores para que mais jovens tenham acesso a esse modelo de ensino.

Uma pesquisa encomendada pelo Todos da Educação em 2017, “Repensar o Ensino Médio”, mostra que 78% dos estudantes atribuem uma grande importância a matérias direcionadas à formação profissional e técnica, sendo que os mesmos (71%) também dão grande importância ao ensino superior. Em outras palavras, o percentual de jovens que pensam no seu futuro profissional é grande e o modelo EPT com certeza é um fator estimulante para o ingresso no ensino superior.

Isso até poderia soar contraditório em outros tempos, mas hoje em dia pode ser conciliável, uma vez que apenas 30% dos jovens de 18 a 24 anos estão no ensino superior. Então, é preciso expandir esse tipo de formação bem como ampliar significativamente a profissionalizante, para que assim a EPT possa ser mais valorizada, inclusive no mercado de trabalho. Vale mencionar também que a formação para o trabalho não pode mais se limitar ao preparo da mão de obra, e sim possibilitar que os estudantes tenham acesso e vontade de ter uma formação continuada para a vida toda, garantindo a capacidade de aprender constantemente.

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