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Plano Ceibal ajudou o Uruguai a enfrentar os desafios da pandemia

19/11/2020 | Editado em 19/11/2020 16:19

Os investimentos de mais de uma década na educação digital no Uruguai contribuíram para tornar o país mais resiliente frente aos desafios do ensino remoto na pandemia. Desde 2007, com o lançamento do Plano Ceibal, discentes e docentes da rede pública recebem um notebook ou tablet para uso pessoal, têm conexão à internet gratuita em todas as escolas e acesso a plataformas online com conteúdo educacional.  

A iniciativa diminuiu consideravelmente o gap digital. Desde o início do projeto até 2011, o acesso a um computador por criança de 6 a 13 anos aumentou, em média, de 30% para 94%. Nas famílias de baixa renda, o salto foi mais expressivo: de 9% para 93%. Até 2018, foram entregues 2 milhões de laptops e tablets. A rede de videoconferência do projeto conecta, ainda, mais de 1.500 centros educacionais.  

O projeto foi fundamental para manter a aprendizagem das crianças durante a suspensão das aulas e a reabertura em fases, proporcionando mais equilíbrio entre o presencial e o online. Isto porque, para além da conectividade e computadores, o Plano Ceibal também se preocupou em oferecer treinamento em metodologias mais centradas no estudante e para além da sala de aula, por meio de suas plataformas digitais. 

Apoio técnico e social

Para auxiliar estudantes e famílias com menos familiaridade na aprendizagem virtual, colaboradores da escola e orientadores técnicos receberam apoio do Plano Ceibal. Além da plataforma online Crea, foram utilizadas mídias locais (rádio e TV) e celulares (especialmente WhatsApp) para contato com os docentes. A continuidade da oferta de benefícios não educacionais, como por exemplo merendas, foi importante para manter o vínculo com a escola, especialmente nas famílias mais vulneráveis.  

O Uruguai foi um dos primeiros países do mundo a reabrir as escolas. A abertura se deu por fases. No final de abril, foram as escolas rurais, depois as escolas com alunos vulneráveis e, por fim, no final de junho, todas as escolas. A frequência presencial é voluntária. Para a reabertura, também foram identificados e solucionados os casos com problemas de transporte para se chegar à escola com segurança. Leia abaixo lições aprendidas da experiência uruguaia destacadas pela UNICEF. 

  1. Flexibilidade e adaptabilidade. A pandemia exige flexibilidade para tomar decisões e elaborar políticas educacionais. Os docentes adaptaram as disciplinas e práticas de ensino e tiveram autonomia para tomar decisões em suas turmas. O Plano Ceibal, a UNICEF e a Administração Nacional de Educação Pública – ANEP ofereceram treinamento para habilidades digitais a longo prazo. 
  2. Equidade para além das tecnologias. O governo, em parceria com a UNICEF, desenvolveu uma campanha inclusiva de volta às aulas, com auxílio financeiro para estudantes com maior potencial de evasão devido à crise econômica.
  3. O aprendizado totalmente remoto “não é um substituto para sempre”. Inevitavelmente, a aprendizagem digital provavelmente complementará a educação presencial nos próximos anos. Mas o contato presencial é incomparável.  

Para o momento atual, com as especificidades da pandemia, o Plano Ceibal recomenda uma atenção especial aos seguintes pontos: 

  1. Priorize áreas curriculares essenciais e vincule-as a problemas da vida real por meio da aprendizagem baseada em projetos.  
  2. Desenvolva dinâmicas de avaliação formativas e deixe bem claros os objetivos de aprendizagem.  
  3. Apresente aos educadores propostas de organização autônoma de trabalho, principalmente para quando não se está no centro educacional. Para os estudantes, ajude com estratégias para organizar o tempo de aprendizagem em casa. 

Acesse aqui para saber mais sobre o Plano Ceibal. 

Confira o relatório da Unesco sobre educação durante e além da COVID-19 (em inglês).  

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