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Recorte de raça e gênero na educação

21/12/2021 | Editado em 12/01/2022 15:03

Em uma sociedade que convive com questões estruturais, como o racismo e o machismo, a escola não pode estar alheia a questões de raça e gênero. Assim, o grande ponto sobre o qual é preciso refletir diante desse cenário é: que posicionamento a comunidade escolar terá sobre tais pautas?

Como espaço de formação de jovens, a escola deve assumir uma postura de combate a injustiças, por meio de uma política educacional que enfrente essas questões. Afinal, o ensino precisa ser uma ferramenta de desconstrução das desigualdades, e não de reforço a elas.

Recorte de gênero

Fazendo um recorte de gênero, podemos notar que o acesso à educação apresentou números melhores nos últimos anos. Dados de 2018 disponíveis no Observatório de Educação apontam que 72,9% das meninas entre 19 e 24 anos concluíram o ensino médio, contra 62,1% de alunos do sexo masculino. 

Apesar de os indicadores de formação serem positivos, o mesmo não se reflete em oportunidades iguais fora dos muros da escola, em especial no mercado de trabalho. Segundo a Pnad Contínua do 2º trimestre de 2020, enquanto o rendimento médio mensal de uma mulher negra era de R$1.573,00, os homens brancos ganhavam 120% a mais, com renda de R$ 3.467,00. A hierarquia de gênero continua sendo uma realidade social que faz com que as mulheres tenham menos oportunidades quando comparadas aos homens, mais ainda quando consideramos mulheres negras e homens brancos.

Recorte de Raça

O racismo também continua sendo uma questão que tem reflexos amplos no país. A desigualdade educacional entre pretos e brancos é uma delas. Dados da PNAD Educação 2019 apontaram que a taxa de analfabetismo no Brasil era de 8,9% entre pretos e pardos e 3,6% entre brancos. As desigualdades se refletem no acesso à educação e também no aprendizado. Em 2018, o atraso escolar somava 12,9% entre brancos e 23,3% entre os jovens negros (Observatório de Educação).

O papel da gestão 

A gestão tem papel estratégico no enfrentamento dessas desigualdades e, uma vez comprometida com as causas, pode promover ações efetivas. O primeiro passo é buscar conhecimento sobre as questões de gênero e raça, e isso deve ser estendido ao corpo docente como um todo, possibilitando a desconstrução de comportamentos e falas preconceituosas.

Além disso, também é possível recorrer a estratégias que insiram e naturalizem a mentalidade antirracista e não sexista na comunidade escolar, tais como:

  • Promover rodas de conversa e debates;
  • Inserir mais da cultura e história africana no cotidiano escolar;
  • Incentivar a criação de coletivos para ações conjuntas e mais eficazes;
  • Orientar o corpo docente e discente sobre a não aceitação de comportamentos preconceituosos;
  • Promover atividades que busquem a equidade de aprendizagem, como pequenos grupos de reforço e o planejamento individual de desenvolvimento dos alunos.

Há um leque de possibilidades para uma gestão comprometida com o enfrentamento de questões tão importantes. Para tanto, é sempre necessário olhar com sensibilidade quais são as grandes necessidades da sua escola e, a partir disso, implementar as ações mais adequadas para ela.

Somado a isso, é fundamental lutar por políticas públicas que contemplem essas questões, visto que elas também exercem papel importante na construção de uma sociedade mais igualitária.

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