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Como a economia afeta a educação?

23/03/2022 | Editado em 23/03/2022 13:43

O Brasil é um país de contrastes, desigualdades socioeconômicas grandiosas e racismo estrutural que afetam diretamente o desenvolvimento. À medida que são levantadas reflexões e possibilidades para combater tais problemas que impedem o país de avançar rumo ao progresso, a educação sempre surge como uma das soluções apontadas.

Isso porque a educação permite que novas realidades sejam construídas – econômica, política e socialmente. A relação entre educação e economia merece destaque especial, principalmente por ser uma via de mão dupla, uma vez que elas se afetam mutuamente.

Ao considerarmos que a educação é que permite preparar melhor as pessoas para o mercado de trabalho e as relações sociais, também precisamos ter em vista que os investimentos econômicos destinados a ela devem ser expressivos e prioritários. Os reflexos desse investimento não se limitam ao mercado de trabalho. 

Afinal, uma sociedade mais instruída tende a ser mais politizada, ter melhores índices de segurança pública, maior empregabilidade e renda, além de melhores estruturas familiares (diminuindo, por exemplo, a gravidez precoce não planejada). Esses dados podem ser vistos em estudos de James Heckman, Nobel de Economia em 2000, e outras pesquisas que mostram a importância de programas bem estruturados e aplicados para o acesso à educação e a permanência escolar na primeira infância.

Investimento em educação no Brasil

O financiamento da educação no país ainda é  baseado na vinculação e subvinculação de recursos, dependendo essencialmente da arrecadação de impostos. Com isso, temos um investimento vulnerável, que está sempre condicionado ao momento econômico do Brasil.

A priorização do investimento na educação e a criação de políticas para assegurar isso são fundamentais. Afinal, a partir da educação de qualidade ofertada para todos é que poderemos alcançar avanços em larga escala.

Outra mostra da desigualdade econômica que afeta as escolas públicas, e em especial as comunidades mais vulneráveis, é a perda de aprendizagem acentuada pela pandemia da covid-19.  Os jovens brasileiros no Ensino Médio podem deixar de ganhar R$ 21 mil ao longo da vida profissional. Essa perda é causada pela queda nos índices de proficiência em matemática e em língua portuguesa.

A necessidade da implantação de uma educação tecnológica, moderna, de qualidade e atual ainda esbarra em questões estruturais mais básicas, como o acesso à escola e a garantia de um espaço adequado para que as crianças e os jovens estudem. A mudança real e efetiva dessa realidade desfavorável para a educação e também para a economia do Brasil só vai acontecer a partir de um engajamento com essa causa. Será necessário empenho, dedicação e esforço coletivo para uma transformação.

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