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Pandemia acentuou desigualdades na aprendizagem em comunidades vulneráveis

23/02/2022 | Editado em 17/03/2022 12:05

A pandemia da covid-19 gerou impactos significativos na educação, que inclusive afetam o futuro dos jovens brasileiros. Com as escolas fechadas e as novas demandas pelo ensino remoto, os estudantes do país viram as desigualdades educacionais se acentuarem ainda mais. 

As soluções encontradas e até mesmo o período de adaptação dos modelos de ensino durante os períodos de isolamento social foram diferentes entre a rede pública e a privada de ensino. Mas não foi somente nessa esfera que as diferenças aconteceram; elas foram ainda mais significativas no que diz respeito às comunidades vulneráveis.

Grandes comunidades brasileiras como Paraisópolis, em São Paulo, e o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, são exemplos de locais onde a educação de crianças, adolescentes e jovens se tornou um desafio ainda maior por conta da covid-19. Segundo estudo da Redes da Maré em parceria com o Instituto Unibanco, três em cada quatro alunos das favelas da Maré relataram que aprenderam pouco ou quase nada durante a pandemia.

Contexto socioeconômico

Os estudantes que vivem em locais de maior vulnerabilidade social foram diretamente impactados pela dificuldade de acesso às aulas e atividades remotas. A falta de acesso à internet, a ausência de um equipamento adequado (como celular, tablet ou computador) e até mesmo da alimentação básica que era proporcionada pela escola afastou e desanimou estudantes de regiões com renda per capita menor e com incidência de pobreza.

Dados do TIC Educação 2020 apontam que 87% das escolas brasileiras adotaram algum tipo de atividade online e que 93% investiu no agendamento de horários para que pais e responsáveis retirassem atividades e materiais pedagógicos impressos para os estudantes. A transmissão de aulas pela televisão, a distribuição de aparelhos digitais para alunos e outras medidas também aconteceram, mas sem a amplitude e a agilidade demandadas. A dificuldade de aprendizagem, o cronograma de estudos e a falta de acompanhamento, tanto familiar quanto dos professores, também afetou os alunos.

Nas comunidades vulneráveis essa situação é ainda mais agravada devido à baixa escolaridade de pais e responsáveis, à necessidade de trabalhar para gerar renda e também ao baixo investimento do Estado em políticas públicas que combatam desigualdades. 

Retorno às aulas presenciais

A retomada às salas de aula continua sendo um grande desafio para os estudantes em situação de vulnerabilidade social. Isso porque a proporção de alunos dessas localidades que tiveram a oportunidade de regressar à escola foi de 16%, contra 38% dos estudantes com maior renda.

O abismo também é regional, pois 40% dos estudantes do Sul e Sudeste tiveram a possibilidade de retornar às escolas reabertas, ainda que parcialmente, enquanto na região Nordeste apenas 11% e na região Norte somente 6%, apontam dados da pesquisa Datafolha, Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias. O desafio de mitigar as desigualdades na educação brasileira é grande, mas com ações efetivas e políticas públicas direcionadas será possível reverter o cenário. 

 

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