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Dedicação, diálogo e ambiente acolhedor: diretora conta como ajudou a melhorar Educação em escola do Piauí

22/11/2021 | Editado em 22/11/2021 11:38

Em 2019, quando a Unidade Escolar Joaquim Parente, em Bom Jesus, no interior do Piauí, completava 40 anos de existência, a diretora Fabíola Franco vivia uma contradição: ao mesmo tempo em que realizava na escola um evento gigantesco, envolvendo de maneira intensa alunos, educadores e comunidade na comemoração do aniversário, ela questionava se seu trabalho ainda estava fazendo a diferença no dia a dia da escola e se fazia sentido continuar como gestora.

“Então os estudantes aproveitaram o momento e me fizeram uma homenagem muito linda”, lembra Fabíola. “Aquilo me emocionou bastante. Foi ali que eu vi que eu estava sendo importante para eles, que eu estava correspondendo àquilo que eles precisavam”.

Fabíola nasceu em um bairro da zona rural e, mesmo filha de professora e tendo um pai que também incentivava os cinco filhos nos estudos, ela nem sonhava em ser educadora. Pelo contrário, trabalhou muitos anos em empresas privadas e só mais tarde fez faculdade de Letras na Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e passou a estudar para concursos.

Em 2015, ingressou como professora concursada na Unidade Escolar Joaquim Parente. E já no ano seguinte foi convidada a assumir o cargo de diretora adjunta até que, após um curso de gestão oferecido pela rede estadual, aceitou assumir o cargo integralmente.

A escola tinha sérios problemas. A estrutura física estava muito ruim, incluindo piso, teto e banheiro e não havia bebedouros adequados. “Computadores, projetor, impressora, tudo isso era difícil, e essa situação de falta de estrutura já tinha afetado as pessoas, que eram desmotivadas”, conta. Além disso, a escola tinha cerca de 400 alunos. Hoje, são 900.

Uma ajudinha da comunidade

Para mudar a situação, o primeiro passo de Fabíola foi buscar o apoio da comunidade.

“Veio um casal aqui e eu me recordo que liguei para eles para cuidarem da grama da escola. Precisava aparar, estava muito grande. Então eu pedi para virem fazer um orçamento. Aquela visita foi muito importante porque eles perceberam o quanto a escola estava precisando de melhorias e se ofereceram para fazer mutirões com a comunidade”.

Depois desse primeiro momento, a diretora conseguiu apoio de associações e autoridades locais, até que, com a parceria da Secretaria de Educação e recursos do Legislativo estadual, chegou a tão sonhada reforma, incluindo mais equipamentos, bebedouros novos e reformas das carteiras. Tudo isso ajudou na integração da comunidade escolar. Juntos, faziam sessões de cinema, levavam alunos a eventos que pudessem integrar o trabalho pedagógico, ou mesmo melhoravam o jardim:

“Aquilo foi envolvendo os estudantes de uma forma que eles vinham felizes para a escola e os professores também. Era algo diferente e prazeroso para todos”.

Todo esse trabalho não só melhorou a rotina como também deu à escola o 3º lugar no prêmio Gestão Escolar Estadual, em 2020. Orgulhosa, Fabíola acredita que ser uma boa diretora é ser humana e estar preocupada com o futuro dos estudantes. Para isso, as ferramentas que utiliza são “a dedicação, o trabalho feito com amor e o diálogo”. Sempre procurando ouvir os estudantes, organizando rodas de conversas.

“Podemos focar melhor o nosso trabalho, as nossas ações, e acima de tudo, nesse processo educativo. Criar um ambiente que o estudante tenha vontade de fazer parte dele, que ele goste de estar ali, que ele admire”.

Apoio do Jovem de Futuro

A diretora também destaca que o programa Jovem de Futuro tem ajudado bastante o seu trabalho.

“Tem sido uma experiência muito boa durante esse processo de gestão, certamente trouxe muita aprendizagem e também muito apoio para mim como gestora”.

Ela destaca a importância das formações promovidas pelo programa:

“Todas são riquíssimas, nos trazem muita aprendizagem, e a aprendizagem nos permite ter mais segurança no que estamos fazendo. Então, eu sinto que o Jovem de Futuro agrega e contribui para que o meu trabalho seja cada vez melhor”.

Mais histórias inspiradoras

A história de Fabíola faz parte da série Histórias do Jovem de Futuro, que traz um pouco da experiência dos profissionais de educação das escolas parceiras do projeto. Confira, abaixo, outras histórias de profissionais que ajudam a transformar a educação nas suas escolas:

Regilberto José Silva, Itaiçaba (CE): “É indispensável construir uma escola democrática, baseada no diálogo entre estudantes e familiares, professores e funcionários

Ângela Soares e Cátia Couto, Divinópolis (MG): proximidade com os alunos e visão mais ampla do conhecimento

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