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RETROSPECTIVA 2020: relembre os principais temas abordados na página Gestão de Crise na Educação: Covid-19

18/12/2020 | Editado em 18/12/2020 11:56

A crise na educação provocada pela pandemia de Covid-19 levou as escolas e os profissionais que nela atuam a se reinventarem. A adequação ao ensino remoto (e a celeridade com que isso teve que ser feito), os impactos negativos do fechamento das escolas sobre o processo de ensino-aprendizagem e, posteriormente, a transição para o ensino híbrido e o preparo das unidades e das equipes para retomada das aulas presenciais trouxeram novos desafios e demandas aos que atuam no campo educacional.

Com o objetivo de seguir contribuindo com a atuação dos gestores e docentes por meio de conteúdos que apoiem a reflexão e a prática desses educadores, criamos a página Gestão de Crise na Educação: Covid-19. Nela, desde abril, publicamos periodicamente textos jornalísticos, além de depoimentos e entrevistas em vídeo, que buscam dialogar com as questões e temáticas trazidas pela conjuntura atual.

Nessa retrospectiva, retomamos os principais assuntos abordados e destacamos alguns desses conteúdos, em especial os mais acessados.

O aprofundamento das desigualdades educacionais vem sendo alertado por especialistas e organismos internacionais como Unesco e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como um dos principais efeitos negativos da pandemia. Os alunos e alunas oriundos de famílias em situação de maior vulnerabilidade social são os mais prejudicados e apresentam maior risco de evadir. A ausência ou dificuldade de acesso a dispositivos tecnológicos e à internet, o baixo grau de escolaridade dos pais e o empobrecimento das famílias também são empecilhos para continuidade dos estudos.

Nesse sentido, produzimos uma série de reportagens que trazem orientações e sugestões direcionadas para gestores comprometidos com o princípio da equidade. O texto que registra o maior número de acessos na página, publicado em 06/05, elenca uma série de ações para evitar a evasão dos estudantes.

Recomendações de como orientar os pais ou responsáveis no acompanhamento dos estudos dos filhos no ensino remoto e que outros tipos de suporte as redes e as escolas podem oferecer frente a situações de elevada vulnerabilidade social das famílias estão presentes na segunda matéria mais acessada da página.

 

A diversificação das estratégias de ensino remoto, a adoção de diferentes práticas pedagógicas, as políticas de busca ativa implementadas pelas redes e a necessidade da educação antirracista ser um compromisso da gestão foram outros assuntos abordados relacionados à questão da equidade.

O isolamento social a que fomos submetidos também teve impactos profundos sobre a saúde mental de toda a população. Formas e estratégias de contribuir com o equilíbrio emocional dos estudantes foram abordadas em um dos primeiros textos publicados na página, em 16/04 – terceiro conteúdo mais acessado.

“Mais do que assegurar uma transmissão de conteúdos em outras plataformas, é importante oferecer opções de discussões altamente qualificadas que ajudem o jovem e o adolescente a compreender o momento que eles estão vivendo”, ressalta a professora e pesquisadora Nanna Haddad, ouvida na matéria.

(Clique aqui para assistir aos principais trechos da entrevista)

Já o apoio emocional do gestor aos professores foi tema de notícia publicada em 21/05. O texto ressalta a relevância ainda maior do papel desempenhado pelo diretor na gestão de pessoas no contexto da pandemia e aponta caminhos para que ele forneça esse suporte à equipe. (Confira a entrevista de Gisele Alves, do Instituto Ayrton Senna, sobre o tema).

As estratégias de acolhimento socioemocional de estudantes, docentes e demais profissionais da escola na retomada das aulas presenciais foram pauta da página em 07/08. As principais ações com esse foco e os princípios que as norteiam previstas nos planos de retorno das aulas presenciais das redes estaduais de Mato Grosso do Sul, Ceará e Espírito Santo são destacadas no texto.

Em depoimentos, gestores de Vitória (ES), Quixadá (CE) e Goiânia (GO) relatam as estratégias usadas para aproximar e manter o engajamento de estudantes e professores.

Com o objetivo de contribuir com a busca de soluções em resposta aos desafios da Covid-19, o Instituto Unibanco realizou um mapeamento de ações, projetos e políticas de sistemas escolares no Brasil e no mundo elaborados no contexto da pandemia. O levantamento foi compartilhado na página em 21/06, mas não se encerrou ali. Convidamos nossos leitores a colaborar, enviando informações sobre iniciativas não incluídas no mapa.

Para subsidiar gestores das redes no processo de preparação das escolas para retomada das aulas presenciais, o Instituto encomendou uma série de análises e pesquisas sobre como outros sistemas educacionais vinham se organizando e atuando em relação à pandemia. Um deles foi um levantamento bibliográfico sobre protocolos de retomada elaborados por 11 países (Dinamarca, Alemanha, Portugal, Nova Zelândia, México, Curaçao, Anguilla, China e Saint Martin, Uruguai e Estados Unidos), cujos principais pontos foram destacados em notícia publicada no dia 05/06.

Outro estudo do Instituto divulgado na página foi o que investigou o impacto da pandemia de Covid-19 nas avaliações dos sistemas educacionais e constatou que o cancelamento ou adiamento das provas de âmbito nacional e a alteração dos conteúdos dos exames foram as medidas mais comuns adotadas dentre os 27 países analisados. A pesquisa foi divulgada em maio, após anúncio do MEC sobre a manutenção da data de realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O panorama das políticas adotadas em 19 países em relação à aprovação ou reprovação dos estudantes foi o último levantamento do Instituto Unibanco noticiado na página (em 13/11).

Pesquisas realizadas por outras organizações também foram notícia na página. Em 03/04, divulgamos os resultados do estudo “Planejamento das Secretarias de Educação do Brasil para ensino remoto”, do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), que constatou que a maioria ainda não tinha diretrizes definidas de como deveriam ser as atividades de educação a distância. Em 07/04, repercutimos alguns dos achados de pesquisa do Instituto Península sobre o sentimento e a percepção dos educadores brasileiros durante a suspensão das aulas.

Além de lançar luz sobre práticas e experiências exitosas de gestores frente aos desafios do ensino remoto, também procuramos retratar na página políticas e diretrizes adotadas pelas redes públicas sobre temas gerais e dilemas comuns.

Nessa linha, foram abordados: avaliação durante o ensino remoto e na retomada das aulas presenciais, estratégias de comunicação com as famílias e de busca ativa e a fusão dos anos letivos 2020 e 2021, entre outros.

Representantes de Secretarias Estaduais também foram entrevistados remotamente:  o secretário executivo adjunto pedagógico da Seduc-AM, Raimundo Barradas, falou sobre a experiência pré-pandemia do estado com as tecnologias de mediação do ensino e Superintendente de Organização e Atendimento Educacional da Seduc/GO, Patrícia Coutinho, abordou as ações da rede para assegurar a aprendizagem na rede durante o ensino remoto.

Frente à demanda imposta aos professores de reinventar seus modos de atuar, a necessidade de fornecer suporte e ações de formação para esses educadores, além do apoio socioemocional, foi amplamente discutida e apontada por especialistas. Na página, procuramos contribuir com esse debate, abordando a importância da reflexão sobre o papel do professor nessas formações e da troca de experiências. Destacamos algumas iniciativas internacionais e das redes estaduais do Espírito Santo e de São Paulo nesse compartilhamento de práticas.

Sobre o tema, vale conferir ainda entrevista com a diretora de Desenvolvimento Pedagógico da Comunidade Educativa Cedac, Patricia Diaz, na qual ela comenta ainda outras facetas demandadas do professor no contexto da pandemia.

A adaptação das práticas pedagógicas ao ensino remoto foi um dos maiores desafios enfrentados pelos docentes. A questão foi discutida sob diversas perspectivas na página, mas buscando sempre trazer orientações práticas aos professores sobre como se adequar ao novo contexto. Conversamos com as especialistas Julia Siqueira e Julci Rocha sobre a incorporação das tecnologias ao processo de ensino-aprendizagem e cultura digital e com Lilian Bacich, umas as principais referências do país em ensino híbrido. Colhemos também o relato do professor de matemática e de tecnologias para a aprendizagem, Douglas Ferreira, sobre sua experiência nas redes públicas e privada em São Paulo. Dentro da série “Aprendizados do ensino remoto”, produzimos um “balanço” dos avanços e desafios decorrentes da crise na visão dos docentes.

Embora todos os conteúdos da página procurem dialogar diretamente com os diretores escolares, alguns deles deram ênfase a atribuições bastante específicas ou que dependem de um direcionamento claro ou abertura das equipes gestoras. Foi o caso, por exemplo, da reportagem que destacou o papel desempenhado pelos estudantes no engajamento dos colegas e no apoio à gestão. Ainda em abril, em meio ao processo de adequação ao ensino remoto, registramos em vídeo os relatos de gestores de Teresina (PI) e Itapipoca (CE) sobre vinham ajustando as atividades à nova conjuntura.

Na série “Aprendizados do ensino remoto”, os diretores também foram ouvidos e apontaram as principais lições do período.

As transformações na sociedade trazidas ou intensificadas com o advento da pandemia colocaram em evidência temas e debates importantes e que devem ser objeto de estudo e reflexão dos estudantes. Cidadania digital, combate às fake news e direitos humanos foram alguns dos assuntos abordados dentro desse bloco temático.

Também falamos sobre a priorização curricular como uma das estratégias para recuperar a aprendizagem e otimizar o ano letivo em 2021.

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Para a atual geração de educadores e estudantes, certamente nunca houve um ano tão desafiador quanto o de 2020. O próximo ano letivo continuará exigindo um esforço adicional de todos os envolvidos com a educação, para minimizar perdas e trazer de volta à escola os estudantes mais vulneráveis. Os desafios em 2021 continuarão imensos, mas certamente atravessaremos melhor a crise com a troca de informações e a disseminação da melhor ciência disponível. Aos leitores da página, boas festas.

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